ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

(Entre les murs)

2008 , 128 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 13/03/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Laurent Cantet

    Equipe técnica

    Roteiro: François Bégaudeau, Laurent Cantet, Robin Campillo

    Produção: Carole Scotta, Caroline Benjo

    Fotografia: Pierre Milon

    Elenco

    Cherif Bounaïdja Rachedi, Dalla Doucoure, François Bégaudeau, Juliette Demaille, Laura Baquela, Nassim Amrabt

  • Crítica

    13/03/2009 00h00

    O cineasta Laurent Cantet, em seu longa anterior, Em Direção ao Sul, já havia observado, por meio de turistas em busca de aventuras sexuais, a relação entre a França e Haiti, metrópole e colônia até 1804. Agora, com Entre os Muros da Escola, o cineasta utiliza uma singela sala de aula como microcosmo da França contemporânea.

    A imagem ideal dos franceses os associa à alta cultura, branca e europeia. Um país cujos valores modernos foram calcados com a tríade iluminista liberdade-igualdade-fraternidade. Mas existiu o colonialismo que, depois da declaração de independência de diversas colônias após a Segunda Guerra Mundial, deixou como espólio a ácida relação entre descendentes de árabes e africanos com os franceses. Desde a década de 60, forças conservadoras e progressistas dão diferentes respostas à imigração.

    Suavemente, Entre os Muros da Escola usa a classe de uma escola de subúrbio de Paris para discorrer sobre os problemas político-culturais. Um território onde o professor, François (François Bégaudau), representa o poder e a disciplina que quer impor a centralização sobre uma única bandeira - a francesa, lógico. Cada aluno que ganha voz na sala, descendente de um país diferente que foi colônia da França ou ainda é território do país, disputa um cabo de guerra entre identidade e individual e coletiva.

    Mas esse texto político está nas entrelinhas. Ninguém levanta um panfleto e conclama rever o colonialismo. Os tópicos são sutis e entram por meio de outros registros. Por exemplo: futebol. Uma pequena discussão entre quatro alunos em torno das seleções que não se classificaram para a Copa da África está longe de ser uma falação boba de mesa redonda, mas um reflexo da presença maciça de africanos e árabes na França, olhada com receio pelo presidente Nicolas Sarkozy.

    Quando Thierry Henry entra em campo pela seleção, o garoto deve torcer para a França, país no qual ele nasceu, ou para as Pequenas Antilhas, nação de seus pais? E Zidane, filho de argelinos? E Thuram, nascido em Guadalupe, território francês no Caribe? Vejam bem, não é o caso do Amaury decidindo se joga pela Itália ou Brasil, opção estritamente futebolística. A diferença é o caráter político e a "integração" das "minorias".

    Óbvio que o cineasta não usa apenas o futebol para chegar à política. Cantet se aproveita de sutilezas da língua e expressões preconceituosas. Até mesmo a escolha do professor por nomes anglo-europeus ao explicar conjugação verbal na lousa é questionada por uma aluna, Khoumba (Rachel Régulier). "Por que você sempre usa Bill ou esses nomes aí?". Parece bobeira, mas não é: reflete um olhar que passa despercebido por Aissata, Fatou, Keïta ou qualquer outro nome que denote ascendência africana.

    Caro leitor, prepare-se, pois Entre os Muros da Escola, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, tem muito texto! Aliás, outros elementos do filme, como luz e cenário, se fazem mínimos para não atrapalhar o que cada personagem diz. E é justamente no texto que o filme guarda sua força: sair do micro, a sala de aula, para representar um olhar sobre o macro, a França.

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