Pôster Era uma Vez em... Hollywood

ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD

(Once upon a time in Hollywood)

2019 , 162 MIN.

16 anos

Gênero: Mistério

Estréia: 15/08/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Quentin Tarantino

    Equipe técnica

    Roteiro: Quentin Tarantino

    Produção: David Heyman, Quentin Tarantino, Shannon McIntosh

    Fotografia: Robert Richardson

    Estúdio: Heyday Films, Sony Pictures Entertainment

    Montador: Fred Raskin

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Al Pacino, Austin Butler, Brad Pitt, Dakota Fanning, Damian Lewis, Damon Herriman, Emile Hirsch, James Marsden, James Remar, Kurt Russell, Lena Dunham, Leonardo DiCaprio, Lorenza Izzo, Luke Perry, Margaret Qualley, Margot Robbie, Maurice Compte, Michael Madsen, Sydney Sweeney, Tim Roth, Timothy Olyphant

  • Crítica

    12/08/2019 14h00

    Por Daniel Reininger

    Em seu mais novo filme, Quentin Tarantino reúne um fascinante elenco para homenagear o passado de Hollywood. Apesar de manter seu estilo de direção, repleto de humor negro, momentos de violência explosiva e ótima trilha sonora, Era Uma Vez Em... Hollywood mostra um lado mais sentimental do cineasta. Esse é um de seus trabalhos mais fracos, com um estilo muito mais próximo de Woody Allen do que próprio, mas ainda assim vale o ingresso, especialmente para quem é fascinado pelo passado do cinema.

    Carta de amor a Los Angeles do final dos anos 60, o filme não traz o mesmo ar descolado de outrora do diretor com seu ritmo lento e roteiro contemplativo. A nostalgia toma conta e é fácil esquecer que estamos vendo um filme do Tarantino. Mesmo quando a violência come solta, parece mais uma obrigação a cumprir com os fãs do que uma vontade real do diretor incluir esses momentos em sua obra, que são totalmente desnecessários, diga-se de passagem.

    A trama acompanha o ator Rick Dalton e seu melhor amigo, o ex-dublê e faz tudo, Cliff Booth. Rick vive um momento de desespero e decadência e Leonardo Dicaprio faz um trabalho incrível para mostrar o desespero de se tornar obsoleto em Hollywood. Enquanto Brad Pitt encarna de forma perfeita o interessante Cliff, cuja beleza esconde a tristeza de uma vida sem sentido, cujo únicos momentos de prazer são a presença de seu cão e de seu amigo. Ele é quase zen, mas é também violento e a química da dupla é simplesmente memorável.

    A atriz Sharon Tate é outro foco importante da trama. Estrela em ascensão, a atriz foi real e sua curta carreira foi ofuscada pela morte brutal, durante a gravidez, por seguidores do líder do culto Charles Manson. Margot Robbie interpreta com leveza a vizinha de espírito livre de Rick. Só que a personagem não é bem desenvolvida e possui menos espaço do que os outros protaginistas. Tarantino parece não querer explorar quem era Sharon Tate deliberadamente, pelo bem da atmosfera de nostalgia.

    As desventuras de Rick e Cliff são curiosas de acompanhar, mas é difícil se conectar com eles. E Sharon Tate aparece muito pouco para realmente segurar o longa. No final, parece que o cineasta apenas queria mostrar como Hollywood funcionava e ainda funciona. Só que falta diversão, falta emoção, falta empatia com os personagens e a longa duração do filme, com grandes momentos de contemplação, só fazem da obra algo cansativo e capaz de se comunicar apenas com quem viveu essa realidade ou acompanhou, de perto, produções da época.

    Outro problema é a forma como o diretor lida com os assassinatos da família Manson, grupo que cometeu vários crimes nos Estados Unidos no fim dos anos 1960. Não podemos falar do assunto a pedido da Sony, mas é óbvio que esse momento vai dividir muitas opiniões. No meu caso, não gostei e acho as sequências finais entediantes e sem propósito, apesar de darem um pouco de vida à monótona segunda parte da narrativa.

    É justo dizer que Tarantino criou mais um bom filme. Mesmo muito diferente de suas obras anteriores, ainda é possível reconhecer elementos comuns ao cineasta. É claro que o longa possui ótimos momentos, é óbvia a atenção aos detalhes, o cuidado com a trilha sonora e, o mais importante, possui atuações inspiradas, mas a narrativa nunca empolga realmente e o quanto mais esperamos pelo final, ainda mais depois de 3 horas de contemplação, mais decepcionante as coisas ficam.

    Com o tempo, parece que o diretor tem se importado menos em fazer bons filmes e mais em colocar todos os elementos que o agradam na tela, custe o que custar. E, aos poucos, essa decisão tem deixado as obras do diretor cada vez menos interessantes.

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