ESPELHO D'ÁGUA - UMA VIAGEM NO RIO SÃO FRANCISCO

ESPELHO D'ÁGUA - UMA VIAGEM NO RIO SÃO FRANCISCO

(Espelho D'Água - Uma Viagem No Rio São Francisco)

2002 , 108 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcus Vinicius Cesar

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcus Vinicius Cezar

    Produção: Fernanda Senatori

    Fotografia: José Tadeu Ribeiro

    Trilha Sonora: João Souza Leão

    Elenco

    Analu Tavares, Aramis Trindade, Carla Regina, Charles Paraventi, Chica Carelli, Fábio Assunção, Francisco Carvalho, Gabriel Salles, José Ricardo, Perry Salles, Regina Dourado

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Antes de começar a rodar um filme, um diretor tem de ter bem definido em sua mente para onde quer apontar sua câmera. Quando este objetivo está nebuloso, geralmente o resultado é um filme como Espelho D' Água - Uma Viagem pelo Rio São Francisco, que tenta abarcar tudo e acaba não revelando nada.

    A maior conclusão do filme é que faltou humildade e sobrou pretensão ao diretor Marcus Vinícius Cezar, que faz sua estréia em longas-metragens. Espelho D' Água é um filme que não consegue definir seu curso e não mostra a que veio. Do início ao fim da projeção, o espectador fica sem saber muito bem que mensagem o filme quis passar.

    Tudo começa algumas décadas atrás às margens do Velho Chico quando um pai presenteia seu filho com Sidó, uma velha canoa de um pau só feita pelos índios. A pequena embarcação, representada por uma voz feminina que narra a história de seu ponto de vista, exerce um verdadeiro fascínio no menino. Neste ponto, a história abandona o tom de fábula e salta para os dias atuais. Conhecemos Henrique (Fábio Assunção), um fotógrafo da cidade grande que vive temporariamente num vilarejo às margens do rio e sobrevive de retratá-lo. Ele entra em crise depois de se confrontar com Calendário (Severino D' Acelino), um morador da comunidade ribeirinha contrário ao seu trabalho por achar que suas fotos apenas mostram a beleza do rio e deixam de lado seus graves problemas. Aqui, o filme ganha um tom panfletário desnecessário, com o tal Calendário fazendo um discurso engajado no meio da rua, uma retórica falseada que parece ter saído da boca de um ativista do Green Peace e não de um humilde ribeirinho. Por sinal, este é um problema recorrente no filme: os diálogos vez por outra soam falsos, teatrais.

    Partindo numa viagem para fazer algumas fotos aéreas do rio, Henrique desaparece após um acidente de barco. Sua namorada (Carla Regina), que vem da cidade grande de surpresa para visitá-lo, parte então em busca do amado com a ajuda de Abel (Francisco Carvalho), o menino do início do filme, agora um senhor que navega em barcos motorizados, mas mantém ao seu lado a velha canoa Sidó. Daí em diante, percorrendo o rio em busca de Henrique, eles cruzam com diversos personagens, alguns desnecessariamente caricatos, como Zé da Carranca (Aramis Trindade), tudo permeado por belas tomadas das exuberantes paisagens do rio.

    Espelho D' Água, como o próprio diretor define, é uma colcha de retalhos que mistura ficção e documentário, passado e presente, superstições e realidade em histórias narradas em tom de fábula. O problema é que todos estes elementos são mal costurados e, em vez formar uma unidade, estão dissolutos ao longo do filme. De ponto positivo mesmo, só a bela fotografia de José Tadeu Ribeiro e a competente interpretação de Francisco Carvalho.

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