ESPERANDO O MESSIAS

ESPERANDO O MESSIAS

(Esperando al Mesías)

2000 , 98 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Burman

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Burman, Emiliano Torres

    Produção: Diego Dubcovsky

    Fotografia: Ramiro Civita

    Trilha Sonora: César Lerner, Marcelo Moguilevsky

    Elenco

    Chiara Caselli, Daniel Hendler, Dolores Fonzi, Enrique Piñeyro, Gabriela Acher, Héctor Alterio, Imanol Arias, Melina Petriela, Stefania Sandrelli

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Com crise ou sem crise econômica, a Argentina continua produzindo filmes. E bons! Depois dos ótimos Nove Rainhas e O Filho da Noiva, chega aos cinemas do Brasil o sensível Esperando o Messias. Trata-se de um trabalho melancólico, belo e tocante. Como um tango. Um amargo retrato da Argentina atual, à beira da miséria, mas que resiste.

    Basicamente o roteiro desenvolve duas histórias que não podem ser consideradas exatamente paralelas, já que elas se encontram em determinados pontos. O jovem Ariel (Daniel Hendler, estreando no cinema) procura emprego para completar o orçamento doméstico, abalado pela crise do restaurante de seu pai (o ótimo Hector Alterio, de O Filho da Noiva). Num diálogo emotivo, Ariel pergunta ao seu pai: “Era muito o que nós tínhamos no banco?” A resposta vem conformada e dura: “Não, não era muito. Mas era tudo”. Ao mesmo tempo, o bancário Santamaría (Enrique Piñeyro) perde seu trabalho, sua mulher e sua casa num único golpe e se transforma em mendigo – literalmente – da noite para o dia. Cada qual à sua maneira, Ariel e Santamaría saem pelas ruas de uma triste e escura Buenos Aires em busca da sobrevivência.

    Contrariamente ao que se pode supor, Esperando o Messias não é um filme baixo astral. Mesmo em meio à melancolia do tema, ele acena com possibilidades, com a esperança de quem – de uma forma ou de outra – espera o seu Messias particular. Sabe-se lá vinda de onde, alguma luz de otimismo ainda existe. Para Santamaría, o Messias pode vir na forma de um pequeno menino Jesus abandonado num contêiner de lixo, transformando sua vida num verdadeiro presépio. Para Ariel, ele pode assumir a forma de um emprego temporário ou da reconquista de um antigo amor. Mas o mais importante é resistir, sem perder a ternura (e a dignidade) jamais. Como o cinema argentino.

    9 de janeiro de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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