ESSES AMORES

ESSES AMORES

(Ces amours-là)

2010 , 120 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/08/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Claude Lelouch

    Equipe técnica

    Roteiro: Pierre Uytterhoeven

    Produção: Claude Lelouch, Denis Pineau-Valencienne, François Kraus

    Fotografia: Gérard de Battista

    Trilha Sonora: Laurent Couson

    Estúdio: Les Films 13

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Audrey Dana, Dominique Pinon, Gilles Lemaire, Jacky Ido, Laurent Couson, Raphaël, Samuel Labarthe

  • Crítica

    23/08/2011 15h50

    O que mais pode narrar Claude Lelouch após Esses Amores? Não há como escapar da busca por uma resposta após assistir ao novo filme do cineasta que eternizou sua visão do amor em Um Homem, Uma Mulher (1966), que conseguiu encantar tanto a Academia com um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Roteiro e o júri de Cannes que o laureou com a Palma de Ouro de Melhor Filme.

    Esses Amores é o balanço de uma vida, a síntese da paixão de um realizador pelo tema que perseguiu em todos os filmes: o amor. Lelouch, também diretor de Viver por Viver (1967) e, mais recentemente, Crimes de Autor (2007), volta a dirigir um longa que aspira falar de muitas coisas e cobrir um longo intervalo de tempo. Pretensão similar a Páginas da Vida (1981).

    Acompanha-se especialmente o começo e o fim da Segunda Guerra Mundial, com direito a um flashback aos Estados Unidos de meados do século 19 para explicar a motivação de um personagem. A música, presença comum em Lelouch, novamente é base de sustentação do enredo.

    Esses Amores sintetiza o olhar adocicado que os fãs do diretor adoram e seus detratores detestam. Mesmo com toda sua aspiração grandiosa e a importância da cena final para explicar 50 anos de carreira, trata-se de mais um filme regular do diretor. Correto e bem realizado, assim como muitos outros de sua filmografia.

    O eixo do enredo é Ilva (Audrey Dana, de Bem-vindo), linda mulher cujo grande pecado é amar demais. Conhecemos sua história desde a adolescência, no início da guerra, até ser julgada por crime ocorrido no fim da ocupação nazista. A paixão por um oficial alemão, o presente obscuro de seu pai, as noites de diversão e dança frenética, a cobrança da resistência francesa atravessam a história de Ilva – esboço de mulher moderna – e do próprio filme.

    Qual é a essência do filme? Amar, acima de tudo. O que decorre disso? O peso da escolha das decisões. Ou seja, uma equação mais que comum em Lelouch. Desta vez, porém, há o risco que o filme corre em falar de muitos personagens com diferentes motivações.

    Ao contrário de quando mantém sua narrativa circunscrita em poucos personagens, Esses Amores pede, mas não consegue, identificação do espectador com muita gente. Sem contar a irregularidade: a primeira parte e o miolo são bem desenvolvidos, enquanto os desdobramentos das escolhas mais recentes de Ilva carecem de interesse.

    Mas não dá para pedir a Lelouch fazer outro filme. Mesmo não gostando, Esses Amores sai do peito do cineasta, uma carta compartilhada sobre o porquê de ele fazer cinema - vide a participação supérflua de Anouk Aimée, estrela de Um Homem, Uma Mulher. É um testamento que os fãs do cineasta têm a chance de conhecer em vida.

    Eu que não divido do frenesi desse cinema, vejo Esses Amores com os olhos de sempre: mais um filme de Claude Lelouch.

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