ESSES MOÇOS

ESSES MOÇOS

(Esses Moços)

2004 , 84 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 25/05/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Araripe Jr.

    Equipe técnica

    Roteiro: Hilton Lacerda, José Araripe Jr., Ricardo Soares, Victor Mascarenhas

    Produção: Moisés Augusto, Sylvia Abreu

    Fotografia: Hamilton Oliveira

    Trilha Sonora: Beto Neves

    Elenco

    Chaeind Santos, Flaviana Silva, Inaldo Santana

  • Crítica

    25/05/2007 00h00

    A canção Esses Moços, do "gauchíssimo" Lupiscínio Rodrigues, na voz do "baianíssimo" Gilberto Gil, une o Sul e o Nordeste brasileiros num problema 100 % nacional: os nossos abandonados. Crianças e velhos. O diretor e roteirista José Araripe Jr. (o mesmo de 3 Histórias da Bahia) toma emprestado o nome da música para realizar Esses Moços, um filme sobre abandonos, encontros e esperanças totalmente rodado na Bahia.

    Confesso que logo nas primeiras cenas fiquei ressabiado. "Xiii, lá vem mais um filme sobre crianças de rua", pensei ao ver as meninas Chaeind Santos e Flaviana Silva (ótimas revelações) interpretarem Darlene e Daiana, duas irmãs que tentam sobreviver pedindo esmolas nos semáforos soteropolitanos. Porém, felizmente, quanto mais o filme avançava, mais eu me envolvia por ele, deixando para trás - bem pra trás - minha primeira e preconceituosa impressão.

    Darlene e Daiana logo se mostram duas personagens bem construídas, vivas, críveis, espertas, sem as armadilhas e os desgastados clichês que o tema "crianças de rua" geralmente proporciona. Logo elas conhecem Diomedes (Inaldo Santana), um velho com ar de perdido na vida, portador de um par de óculos escuros e redondos, geralmente associados aos cegos. Mas Diomedes vê e as meninas enxergam nele a possibilidade de faturarem mais esmolas. Está formado um trio errante que sai sem rumo pela cidade em busca de parcos trocados que garantam alguma sobrevivência. Em trinca, Darlene, Daiana e Diomedes são mais fortes para segurar a barra da exclusão social e da violência urbana. Continuarão eternamente pobres, mas a solidão passa a ser opcional. O que já é alguma coisa.

    Esses Moços pode cometer alguns pecados. O da ingenuidade, talvez, em determinados momentos - se é que ingenuidade é pecado - ou o da falta de uniformidade do elenco, que mistura ótimas e fracas interpretações. Mas acerta muito mais do que erra e se transforma numa bem-vinda surpresa vinda diretamente da Bahia na tentativa de ganhar o circuito nacional.

    Curiosidade: no filme, o ator João Miguel (Cinema, Aspirinas e Urubus) faz uma participação especial vivendo seu principal personagem do teatro: Arthur Bispo do Rosário.

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