ESTAMIRA

ESTAMIRA

(Estamira)

2004 , 127 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcos Prado

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcos Prado

    Produção: José Padilha, Marcos Prado

    Fotografia: Marcos Prado

    Trilha Sonora: Décio Rocha

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Estamira é a estréia de Marcos Prado na direção de um longa-metragem após ter co-dirigido, ao lado de José Padilha, o documentário Ônibus 174 (2002). Prado, fotógrafo aclamado, imprime em Estamira todos os seus conhecimentos nessa área, produzindo uma experiência que une o visual forte e pesado do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, à sensibilidade vinda do ponto de vista da mulher que dá nome à produção.

    Estamira tem 63 anos. Com problemas mentais, ela trabalha há mais de vinte anos no Aterro Sanitário. De fala embolada, muitas vezes apocalíptica, ela destila suas teorias para as câmeras de Prado. Ao mesmo tempo, ele acompanha o dia-a-dia da mulher, apresenta sua família e conta um pouco da sofrida história de vida de Estamira.

    É fato que a figura de Estamira é essencial para dar corpo ao documentário. Falante, ela oscila entre momentos violentos, de delírio completo e de doçura, a mesma que permanece em seus olhos em todos eles. E esse é o maior feito de Estamira. Marcos Prado consegue captar a essência do personagem de uma forma pura. Ao mesmo tempo, é capaz de mostrar muito bem a forma como ele se relaciona com o ambiente em que vive. Enquanto traça o nfiel perfil de Estamira, a produção pincela alguns assuntos cuja discussão é pertinente na sociedade brasileira: a miséria extrema pela qual passa grande parte da população brasileira - o Aterro Sanitário de Jardim Gramacho é somente um recorte desse painel -, o sistema psiquiátrico público no País e o papel da fé e religiosidade na vida de uma pessoa que, não bastando ter problemas psicológicos, ainda vive num estado de pobreza extrema.

    Tendo sido muito bem-recebido em festivais nacionais e internacionais, Estamira é um documentário para poucos. Isso porque Prado não usa o formato "quadradinho" da maioria desse tipo de produção. As preocupações didáticas ficam em segundo plano em relação à proposta artística do longa. Contemplativas, suas imagens - especialmente do Aterro - são capazes de tirar uma beleza poética no meio de tanta sujeira. Dialogando diretamente com a trilha sonora de Décio Rocha, elas soam como retratos em movimento, dando vida ao universo lúdico e peculiar onde Estamira vive, especialmente em sua própria cabeça. Prado não deseja ser panfletário em relação à miséria ou construir qualquer denúncia contundente. Mesmo assim, faz o espectador pensar ao mostrar a mulher que dá nome ao documentário de forma tão sincera.

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