ESTRADA PARA PERDIÇÃO

ESTRADA PARA PERDIÇÃO

(The Road to Perdition)

2001 , 119 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sam Mendes

    Equipe técnica

    Roteiro: David Self

    Produção: Dean Zanuck, Richard D. Zanuck

    Fotografia: Conrad L. Hall

    Trilha Sonora: Thomas Newman

    Estúdio: DreamWorks SKG

    Elenco

    Alfred Molina, Ciarán Hinds, Daniel Craig, Dylan Baker, Jennifer Jason Leigh, Jude Law, Kevin Chamberlin, Liam Aiken, Paul Newman, Stanley Tucci, Tom Hanks, Tyler Hoechlin

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O diretor Sam Mendes (Beleza Americana) é um especialista em teatro. O roteiro é baseado numa "graphic novel" (prima mais rica das histórias em quadrinhos) criada por Max Allan Collins e Richard Piers Reiner. E o resultado final é altamente cinematográfico. Estrada para Perdição é puro cinemão clássico e, por isso mesmo, desde já um forte concorrente aos principais prêmios Oscar do ano que vem.

    Tudo acontece nos EUA da época da Depressão e da Lei Seca, quando gângsteres e mafiosos dominam o país. Michael Sullivan (Tom Hanks) é um deles. Ele trabalha para o poderoso John Rooney (Paul Newman, excelente aos 77 anos), que o criou como um filho. O pequeno Michael Jr. (Tyler Hoechlin), assim como todo menino, tem curiosidade em saber como é exatamente o trabalho de seu pai, mas por motivos óbvios esse assunto é proibido na família. Até o dia em que o garoto se esconde no carro do pai e finalmente presencia uma parte do seu "trabalho": um verdadeiro banho de sangue. Em segundos, Michael Jr. não é mais apenas uma criança. Agora ele é testemunha de um violento assassinato, e está marcado para morrer. Desesperado e determinado, seu pai está disposto a tudo para não somente proteger a vida do filho, como também para evitar que ele cresça dentro de uma carreira de crimes. A qualquer custo.

    A trágica história de Estrada para Perdição encontra referências nas mais variadas culturas. Desde um pouco de Shakespeare na tragédia familiar, até um pouco de mangá (quadrinhos japoneses) na subtrama da honra e da fidelidade. Tudo emoldurado por um dos ícones favoritos dos norte-americanos: a Máfia dos anos 30. Se na consagrada saga de O Poderoso Chefão, Michael se transforma no "anjo" vingador da família Corleone, em Estrada para Perdição, outro Michael assume o papel de anjo protetor. Também de uma família. Lembrando que Michael (Miguel), nas mitologias cristã, judaica e islâmica, é o anjo responsável pelo Juízo Final, o maior de todos os arcanjos.

    Referências à parte, os aspectos técnicos e visuais de Estrada para Perdição são de encher os olhos. A fotografia de Conrad L. Hall (o mesmo de Beleza Americana) parece uma pintura de crayon sépia sobre um papel rugoso de grossa gramatura. Um visual fosco e escuro, quase desfocado, dá ao filme um ar de sonho, de memória, como se a história estivesse sido contada por alguém que não se lembrasse claramente de todos os detalhes. Inevitáveis momentos em câmera lenta seguram o tempo e o espaço num lapso cuidadosamente estudado por Mendes. A trilha de Thomas Newman e do novato John M. Williams (não confundir com o veterano John Williams) é eloqüente e envolvente num só tempo, proporcionando o pano de fundo ideal para a história. A narrativa, sem dúvida, é das mais tradicionais. Estrada para Perdição não é o filme ideal para quem busca novidades e experimentalismo no cinema, mas é, acima de tudo, uma história contada com competência e extremo apuro técnico.

    E com atores como Tom Hanks, Paul Newman e Jude Law, trata-se de presença garantida para a festa do Oscar 2002.

    9 de outubro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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