ESTRADA PARA YTHACA

ESTRADA PARA YTHACA

(Estrada para Ythaca)

2010 , 70 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/05/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Equipe técnica

    Roteiro: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Produção: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Fotografia: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

    Trilha Sonora: Luiz Pretti

    Estúdio: Alumbramento

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes, Ricardo Pretti

  • Crítica

    23/05/2011 15h06

    Corre por fora do circuito comercial uma produção jovem, concentrada em núcleos regionais – especialmente Ceará, Pernambuco e Minas Gerais –, na qual cada filme transparece o esforço coletivo e colaborativo na realização. A amizade ou é um tema corrente ou dá o clima do filme, sugerindo que seria praticamente impossível a existência desses filmes se não fosse pelo companheirismo. Opção, mas também o caminho mais viável para seguir fazendo cinema.

    Estrada Para Ythaca, Melhor Filme da Mostra de Tiradentes de 2010, se insere neste contexto. Um longa-metragem dirigido, montado, interpretado, fotografado, produzido e escrito por quatro amigos da produtora cearense Alumbramento, responsável por alguns dos filmes mais inquietos da safra recente.

    Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Diógenes e Ricardo Pretti são quatro amigos que acabam de perder um integrante da turma, Júlio (Ythalo Rodrigues). A desilusão da morte toma conta dos amigos, que enchem a cara para se esquecer do mundo. Num arroubo, um deles vira um copo e decreta, pouco antes de se levantar: “Eu vou para Ythaca”. É a grande mudança que via dar novo rumo à vida dos amigos.

    Trata-se de um filme de movimento interno dos personagens. O quadro é geralmente estático e se contrapõe aos amigos que borbulham por dentro. Como qualquer filme que se dedica a um rito de passagem – seja ele explícito ou não –, Estrada Para Ythaca não dá grande valor para onde a busca vai levar, mas sim que os personagens saiam transformados.

    No caminho tanto da feitura do filme como no dos personagens, há percalços, escorregões, exageros em citações explícitas, imprecisões. Natural: filme que se arrisca e tenta colocar nas entrelinhas uma discussão sobre o caminho do cinema, enquanto conta uma história para prender o espectador, está sujeito a não alcançar todas suas pretensões. Mas é preferível um filme que tire o bumbum da cadeira a repetir códigos estabelecidos e confortáveis.

    Tanto que o resultado do processo desse filme já levou a outro longa-metragem realizado pelo quarteto, Os Monstros, ótimo filme, mais maduro, sem perder a inquietude, preciso ao construir o tempo contínuo dos personagens.

    No caso de Estrada Para Ythaca, a escolha pelos planos longos cria dois efeitos. O primeiro é de permanência do tempo. A morte de Júlio traz a dor e não há como fingir que ela não existe. A solução é seguir viagem, maturar o sentimento da perda até mesmo nos atos mais banais (como acender uma fogueira para esquentar comida) e caminhar em outra direção. O filme respeita o tempo dos personagens.

    O segundo efeito, mais sujeito a equívocos no resultado do filme, é um ato político pela extensão da duração do plano. Em tempos de imagem acelerada e banalizada, esse tipo de cinema decide fazer o oposto, mostrando sua carta de intenções. Porém, há certos momentos em que uma duração mais alargada não se justifica pela necessidade dramática.

    Mais uma razão para se valorizar o processo de Estrada Para Ythaca que, se não é um filme inteiramente acabado e certeiro em todas suas escolhas, se arrisca ao pintar a amizade e buscar o companheirismo na realização como a opção viável para a existência desse cinema à margem que busca inserção, pero sin perder la ternura jamás.

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