ESTRADA REAL DA CACHAÇA

ESTRADA REAL DA CACHAÇA

(Estrada Real da Cachaça)

2008 , 98 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 17/06/2011

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Pedro Urano

    Equipe técnica

    Fotografia: Pedro Urano

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    14/06/2011 19h00

    É gratificante apreciar esta bem-vinda safra de documentários brasileiros – dos mais variados temas e qualidades – que vem mapeando diferentes aspectos da vida nacional, e gradativamente desqualificando aquela velha história que “o Brasil não tem memória”.

    Esta semana, chega aos cinemas mais um belo trabalho documental para ser visto e apreciado: Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano, uma espécie de roadmovie no espaço e no tempo, onde o objeto principal a ser documentado é a própria estrada. A tal do título, que servia para escoar a produção de ouro e pedras preciosas de Minas Gerais até a então capital federal, Rio de Janeiro. Refazendo o centenário caminho aberto pelas antas e explorado pelos portugueses, os cineastas encontram e redescobrem um intrigante Brasil escondido, autêntico, que não sai na mídia.

    As imagens são de grande beleza plástica. Mais que isso, poéticas. Os depoimentos, o contrário dos documentários de narrativa tradicional, entram apenas em off, sem a imagem nem a identificação do depoente. O recurso a princípio incomoda, mas, num segundo momento, reflete-se melhor: seria realmente de importância fundamental a identificação formal de cada um dos entrevistados? A opção do filme se mostra acertada, pois não quebra o clima obtido pelas belas imagens.

    Também chama a atenção a justaposição de antigas cenas de arquivo com material gravado recentemente: é como se nada tivesse mudado naquela região. Apenas o branco e preto, os riscos e a velocidade alterada sinalizam as cenas antigas, que se somam às atuais com total naturalidade às novas. Por ali, o tempo não passou.

    Mas talvez o maior mérito do filme resida no fato de Estrada Real da Cachaça, Melhor Documentário do Festival do Rio e de Mar Del Plata, ser um documentário que tem a preocupação de documentar, e isso não é jogo de palavras: não é pequena a quantidade de documentários – vários deles, muito bonitos – que pouco ou quase nada efetivamente documentam. Não é o caso.

    Temos aqui um riquíssimo painel cultural-econômico, histórico e social de uma bela e intrigante região brasileira. São centenárias manifestações folclóricas, cantos e danças que mesclam alegria e melancolia, belas paisagens humanas, além, é claro, de uma vibrante radiografia sobre a importância da cachaça na cultura e na economia brasileiras. Regada a uma deliciosa trilha repleta de canções populares que abordam o tema.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus