EU EU EU JOSÉ LEWGOY

EU EU EU JOSÉ LEWGOY

(Eu Eu Eu José Lewgoy)

2009 , 92 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 25/11/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cláudio Kahns

    Equipe técnica

    Produção: Cláudio Kahns

    Estúdio: Record Entretenimento, Tatu Filmes

    Distribuidora: Polifilmes

  • Crítica

    24/11/2011 15h57

    Eu Eu Eu José Lewgoy é uma saborosa viagem pela trajetória do camaleônico ator que começou no teatro estudantil nos anos 1940, foi para os Estados Unidos, voltou para tornar-se o grande vilão nas chanchadas, mudou-se para a França pouco antes da explosão da Nouvelle Vague, fez uma obra-prima do Cinema Novo, fez pornochanchada, foi para a televisão... e outros detalhes que você vai descobrir assistindo ao documentário.

    Com tanto material pesquisado em mãos, e um sentimento de obrigação em dar conta de todos os períodos da carreira de Lewgoy, o documentário dirigido por Cláudio Kahns, amigo pessoal do ator desde as filmagens de O Judeu (1994), consegue manter sua trajetória com doses de um humor saudável (não histérico ou “engraçadinho”). Mesmo com a irregularidade em algumas passagens, o documentário tem uma linha-guia e é muito bem montado, especialmente na primeira parte e no encerramento.

    A quem não associa o nome à pessoa, Lewgoy foi tanto o vilão de uma das mais divertidas paródias do cinema brasileiro, Matar ou Correr (1954), de Carlos Manga, quanto o governador de Alecrim em Terra em Transe (1967), peça-chave na cinematografia brasileira. Lewgoy foi também o espião clichê de Aviso aos Navegantes (1950), de Watson Macedo, e o manda-chuva na mata de Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog.

    Nos anos 1970 até meados dos 80, alcança a popularidade com a televisão nas novelas Rebu (1974), Dancin’ Days (1978), Feijão Maravilha (1979) e Louco Amor (1983). Desta novela que vem seu mais famoso bordão, “E eu não sei?”.

    Contradições

    Eu Eu Eu José Lewgoy relembra também José Lewgoy como ator internacional. Antes de Rodrigo Santoro flertar com Hollywood, abrindo portas para Alice Braga e Wagner Moura, Lewgoy passou pelo teatro em Yale (EUA), de onde viria Elia Kazan, pelo cinema francês criticado pelos jovens da Cahiers du Cinéma e dividiu as atenções de Fitzcarraldo com o temperamental Klaus Kinski.

    José Lewgoy é um personagem camaleônico cuja solidão por vezes se revertia em agressividade, um estranho recurso de proteção. O documentário acerta ao escolher passar com calma pela vida pessoal de seu personagem, contrastando seu suposto mal humor à imagem que sua família guardava.

    Mesmo aproximando-se da intimidade, Eu Eu Eu José Lewgoy se esquiva de fazer qualquer comentário sobre a sexualidade do ator. Observar isso não é, porém, pedir um documentário fofoqueiro, mas um aprofundamento num assunto tão constantemente colocado no filme: a solidão do ator.

    Apesar dessa decisão da direção, Eu Eu Eu José Lewgoy é daqueles documentários que já começam com um ponto positivo por colocar a importância de um personagem às novas gerações. Ganha mais pontos ainda por não idealizar seu biografado e, por meio da montagem, encontrar soluções narrativas a complicados momentos (por exemplo, encaixar o peso da cidade natal, Veranópolis, na vida do ator).

    No final, deixa um sorriso no canto da boca por ter nos reaproximado de uma figura interessante e camaleônica como Lewgoy.


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