Pôster de Eu Respiro

EU RESPIRO

(I Am Breathing)

2013 , 72 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 22/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Emma Davie, Morag McKinnon

    Equipe técnica

    Distribuidora: Cinemas Itaú

  • Crítica

    19/11/2013 13h44

    É tarefa impossível, ao menos a quem respira, deixar uma sessão deste documentário e voltar à vida cotidiana como se nada tivesse acontecido após os 72 minutos em que se acompanha o drama de seu protagonista. Ele é Neil Platt, jovem arquiteto e pai neófito que descobre aos 34 anos sofrer de Esclerose Lateral Amiotrófica.

    Esta é uma daquelas doenças cruéis que não deveriam existir. Ser diagnosticado equivale subir ao cadafalso para um fim indigno que não se deseja nem ao pior dos desafetos. De homem saudável, em menos de um ano Platt se vê sem movimentos do pescoço pra baixo e contando os meses para a morte inevitável.

    Eu Respiro é dirigido pelas cineastas escocesas Emma Davie e Morag McKinnon. Perspicaz e sensível, a dupla conduz o filme com uma delicadeza e objetividade que impressionam. Especulo até que dificilmente um homem conseguiria o mesmo equilíbrio e resultado.

    Acompanhamos as limitações físicas do doente terminal e suas reflexões sobre a vida. Ele prepara uma carta para deixar ao pequeno Oscar, seu filho de um ano, para que este no futuro saiba um pouco do pai que não terá a oportunidade de conhecer. Esta carta, que vai se construindo aos poucos em forma de postagens num blog, é o fio condutor da narrativa.

    As diretoras tomaram o cuidado de não transformar o filme num grande dramalhão movido a lágrimas. A história de Platt é pesarosa o suficiente para necesssitar de artifícios técnicos na busca da emoção do espectador.

    Caso apelassem cometeriam um erro crasso, pois o artifício não iria conjugar a visão da situação da própria vítima – mesmo debilitado e condenado, Platt se posiciona com firmeza, honestidade e, até onde possível, com bom humor diante de seu revés.

    Eu Respiro, no entanto, não é condescendente nem tenta transformar a fatalidade em algo trivial. Algumas cenas são dolorosas e angustiantes de se ver. Em uma delas, ele está prostrado numa espécie de poltrona adaptada e ao fundo, no quintal de sua casa, seu melhor amigo leva seu filho para brincar num balanço.

    Breve sequência de uma dureza atroz, como outras que pontuam o documentário. Platt não pode estar ali, ao lado do primogênito, o que mais queria. Ao invés disso, aproveita o fato de ainda poder falar para deixar suas últimas impressões da vida para o filho que começa a viver.

    O documentário estreia em seis capitais do país com exclusividade nas salas do Espaço Itaú de Cinema. A renda obtida com a venda dos ingressos será revertida ao Instituto Paulo Gontijo, que contribui com pesquisas sobre o mal e ações para melhorar o atendimento às vítimas brasileiras da doença.

    Mas não vá assistir ao filme pela boa ação. Eu Respiro merece ser visto pelo bom documentário que é. No mínimo livra-se um pouco da mesquinharia e pequenez humana depois da sessão. E valoriza-se como nunca essa breve oração que dá título ao filme: "eu respiro".

    Em tempo: Neil Platt morreu em 2009. Ainda pouco se conhece sobre a doença que atinge 12 mil pessoas no Brasil.

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