ex machina

EX MACHINA

(Ex Machina)

2015 , 108 MIN.

Gênero: Ficção Científica

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alex Garland

    Equipe técnica

    Roteiro: Alex Garland

    Produção: Allon Reich, Andrew MacDonald

    Fotografia: Rob Hardy

    Trilha Sonora: Ben Salisbury, Geoff Barrow

    Estúdio: DNA Films, Film4

    Montador: Mark Day

    Distribuidora: Paramount Home Entertainment

    Elenco

    Alicia Vikander, Claire Selby, Corey Johnson, Domhnall Gleeson, Elina Alminas, Gana Bayarsaikhan, Oscar Isaac, Sonoya Mizuno, Symara A. Templeman, Tiffany Pisani

  • Crítica

    10/08/2015 19h07

    Por Daniel Reininger

    Ex Machina é instigante sci -fi que aborda grandes questões de forma profunda, sem deixar a diversão de lado. Com elementos de terror psicológico e suspense, o longa é capaz de tirar o espectador de sua zona de conforto, incomodar e fascinar ao mesmo tempo. Embora chegue direto para DVD no Brasil, essa bela obra é simplesmente obrigatória e não só para quem curte o gênero.

    A trama gira em torno do teste de Turing, que, para quem não sabe, é a forma de desafiar a capacidade de uma máquina de exibir inteligência comparável a de um ser humano. No filme, Caleb (Domhnall Gleeson), programador brilhante da Bluebook, engine de busca mais popular do mundo, ganha um concurso para passar uma semana com o CEO recluso da empresa, Nathan (Oscar Isaac). O presidente da empresa vive isolado nas montanhas, onde pode praticar sua obsessão: criar a primeira inteligência artificial real do mundo.

    Caleb só descobre o motivo da visita quando se depara com Ava, androide que precisa passar pelo teste mencionado acima a fim de determinar se é ou não um ser consciente. Interpretada pela sueca Alicia Vikander, a robô é uma visão impressionante, com rosto capaz de representar a perfeição da beleza feminina e corpo humanoide, mas com interior mecânico exposto, elementos suficientes para criar admiração e estranheza. A partir daí, Caleb e Ava se encontram para diversas sessões, onde conversam sobre tudo, enquanto Nathan os observa por câmeras.

    As conversas são fascinantes, começam com tom leve, mas rapidamente se tornam pesadas, cheias de insinuações e momentos sombrios. As coisas saem do controle quando Ava esconde seu lado mecânico com roupas e perucas humanas, o que a sensualiza e leva Caleb a entrar num jogo perigoso. Ainda mais porque entre cada sessão, Nathan questiona tudo - em momentos de diálogos ainda mais fascinantes, onde a dipusta é pelo poder. O CEO obviamente pretende testar muito mais do que apenas a teoria de Turing, mas suas verdadeiras intenções não ficam claras. O que segue é um thriller psicológico inteligente e sofisticado.

    Como a obra depende demais dos diálogos, as atuações dos três atores em questão (assim como uma intrigante garota muda) precisam ser ótimas. E são. Oscar Isaac, que tem construído uma carreira impressionante e logo estará em Star Wars: O Despertar Da Força, é capaz de manipular os envolvidos de forma astuta e convincente, enquanto se torna tanto gostável quanto temido. Domhnall Gleeson mantém o bom nível com toda inocência que Caleb precisa ter para ser o contraponto moral da obra. Alicia Vikander, por sua vez, é o grande destaque como Ava. A personagem se move e age de forma quase sobrehumana e, mesmo assim, a androide é extremamente humanizada - dicotomia interessante.

    Por isso, é fácil afirmar que Ex Machina é o melhor roteiro de Alex Garland (de Dredd e Extermínio). A trama é divertida, possui questões filosóficas sobre tecnologia, os perigos de brincar de deus, significado de humanidade e ainda é capaz de prender o espectador até o fim com muito suspense. O longa também é a estreia de Garland como diretor, mas nem parece ser o caso, afinal a produção parece vir de alguém experiente. Existe uma precisão fria e calculada, algo que nos lembra bastante de Stanley Kubrick.

    Visualmente o longa também encanta. Os efeitos especiais foram usados de forma cirúrgica para dar vida às partes mecânicas de Ava, entidade de realismo absurdo. Destaque também para o design de produção, responsável por criar ambientes únicos, capazes de reforçar a atmosfera fria e sombria da obra. A fotografia inspirada ajuda a captar o suspense, sem deixar a beleza do local remoto de lado. Mais importante: é capaz de frisar a dicotomia entre a humanidade e a artificialidade de Ava, que, com belos closes, faz o expectador esquecer tratar-se de uma máquina em determinados momentos.

    Ex Machina é instigante e incômodo. O mais assustador é que tudo isso poderia estar acontecendo agora mesmo e nunca saberíamos e é possível acreditar na possibilidade graças à direção segura de Garland e atuações sólidas dos protagonistas. Mais do que ficção-científica ou suspense, essa é uma obra essencial para qualquer pessoa interessada no futuro da humanidade comandado pela tecnologia, além dos cinéfilos em busca de uma obra original verdadeiramente única.

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