EXÍLIOS

EXÍLIOS

(Exils)

2004 , 104 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tony Gatlif

    Equipe técnica

    Roteiro: Tony Gatlif

    Produção: Tony Gatlif

    Fotografia: Céline Bozon

    Trilha Sonora: Delphine Mantoulet, Tony Gatlif

    Estúdio: Princes Films

    Elenco

    Habib Cheik, Hassan Nabat, Leila Makhlouf, Lubna Azabal, Romain Duris

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Neste road movie, o cineasta argelino Tony Gatlif desconstrói de modo bem particular o jeito como vemos o cinema, apresentando um filme cheio de mensagens e metáforas durante pouco menos de duas horas. Exílios caminha no contrafluxo do conforto destacando o vazio e a miséria da população que vive no norte da África, criando laços e dando vez aos desfavorecidos e esquecidos.

    Os protagonistas deste filme estão à procura de um rumo para suas vidas, mesmo que suas intenções sejam opostas. Naïma (Ludna Azabal) quer libertar-se de um trauma que carrega desde a infância. Zano (Romain Duris), músico por influência do avô, quer abandonar a vida que leva em Paris para redescobrir sua origem, vivenciar o lugar onde os pais nasceram e saber por que a família precisou fugir de lá. Assim, ele convence sua parceira a embarcar numa viagem não-convencional até a Argélia.

    Zano e Naïma deixam a França e caem na estrada com destino a Argel, capital argelina. Mas, sem querer mostrar apenas belas e insólitas paisagens, o diretor propõe uma história na qual os personagens transitam por várias situações, relacionando-se com diferentes figuras da vida cotidiana, como um grupo de ciganos ou dois argelinos que vão tentar a vida em Paris, fazendo o caminho inverso ao deles.

    Ao percorrer as belezas naturais da Andaluzia, na Espanha, os protagonistas se deixam levar pela sensualidade do local e prolongam a chegada ao outro lado do Mediterrâneo. Mas as dificuldades para alcançar os objetivos acontecem a todo instante: seguem a jornada caminhando, viajando escondidos, pegando carona, trabalhando para conseguir mais dinheiro ou embarcando para o país errado, acompanhados somente pela música, presente em todo o filme. Seja nas modernas batidas da música eletrônica ou no tradicionalismo do flamenco, eles vão com a cara, a coragem e algumas roupas na mochila refazendo a trilha oposta do exílio de seus pais, esbarrando nas diferenças culturais a cada fronteira, tentando reconquistar suas raízes. A viagem simboliza a forma deles finalmente construírem suas identidades ou mesmo encontrar nela alguma solução para diminuir seus anseios e apagar os fantasmas do passado.

    Gatlif - também responsável, ao lado de Delphine Mantoulet, por algumas das canções da produção - ganhou com Exílios o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes de 2004. Sua direção é segura, resultando num belo filme, apesar da equivocada tentativa de polemizar, como no nu frontal de Romain Duris no início do filme, ou no exagerado e perturbante plano-seqüência do catártico ritual religioso pelo qual passam Zano e Naïma, em transe, ao chegar no desejado destino.

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