Poster Nacional

ÊXODO: DEUSES E REIS

(Exodus: Gods and Kings)

2014 , 149 MIN.

12 anos

Gênero: Épico

Estréia: 25/12/2014

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Ridley Scott

    Equipe técnica

    Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Steven Zaillian

    Produção: Adam Somner, Mark Huffam, Michael Schaefer, Peter Chernin, Ridley Scott

    Fotografia: Dariusz Wolski

    Trilha Sonora: Alberto Iglesias

    Estúdio: Babieka, Chernin Entertainment, Scott Free Productions

    Montador: Billy Rich

    Distribuidora: Fox Film do Brasil

    Elenco

    Aaron Paul, Adrian Palmer, Ben Kingsley, Ben Mendelsohn, Christian Bale, Christopher Sciueref, Emun Elliott, Ghassan Massoud, Golshifteh Farahani, Hiam Abbass, Indira Varma, Joel Edgerton, John Turturro, Kevork Malikyan, María Valverde, Sigourney Weaver

  • Crítica

    19/12/2014 16h27

    Por Daniel Reininger

    Novo filme do diretor Ridley Scott, Êxodo: Deuses e Reis deixa de lado a história clássica de Moisés (Christian Bale) abandonado ainda bebê em meio à realeza egípcia, para mostrá-lo já adulto, como general do Faraó Seti (John Torturro) e grande amigo do herdeiro ao trono, Ramsés (Joel Edgerton). A partir dessa mudança, o novo protagonista se mostra mais humano, cheio de dúvidas, diante de uma jornada espiritual inquietante. Só isso, já faz a nova versão da velha história se tornar mais interessante do que era esperado.

    Este Moisés começa cético em relação à religião e sua preocupação com os judeus não vai além de uma empatia pela situação precária dos escravos do Egito. Somente quando um ancião chamado Nun (Ben Kingsley) revela a o protagonista que ele é, de fato, judeu, o rapaz começa a aceitar a sua verdadeira identidade e entender que é o único que pode libertar seu povo. Banido pelo faraó, Moisés vaga pelo deserto até que chega a uma aldeia onde conhece Zípora, sua futura esposa.

    A trama então salta alguns anos até um acidente o levar a encontrar Deus, interpretado pelo garoto Isaac Andrews. Nunca fica claro que se o protagonista teve uma alucinação ou se, de fato, conversou com Deus. O que importa é que, a partir desse momento, Moisés começa a se comportar de forma errática e entende que não terá paz enquanto não libertar os judeus da escravidão. Ele parte em sua jornada, sem saber que trará consequências devastadoras ao povo que amou desde pequeno por meio das dez pragas divinas da bíblia, cada um delas um show espetacular de efeitos em computação gráfica.

    Scott aborda a história como a clássica jornada do herói e é muito seletivo sobre quais partes da vida de Moisés abordar. Ele começa como guerreiro, se torna político e homem de família. Embora essa não seja a melhor atuação de Christian Bale, o ator se esforça para convencer no papel principal e as cenas em que discute com Deus estão entre as mais cativantes da produção, com o jovem Andrews mandando tão bem quanto o ator veterano.

    Isso não significa que a escalação de Bale tenha sido a melhor escolha para o papel, afinal, assim como grande parte do elenco, ele é ocidentalizado demais e isso causa muita estranheza. Pior, o ótimo elenco é constantemente subutilizado, deixando ótimos personagens com passagens curtas ou mal construídos.

    O antagonista é outra decepção, já que Joel Edgerton não é capaz de encarar Ramsés de forma ameaçadora. Fica claro que a ideia do ator e de Scott era humanizar a imagem do faraó, especialmente quando as Dez Pragas assolam o Egito, atingindo, inclusive, sua família, mas, no final, ele apenas se torna um inimigo apático, bem diferente de Yul Brynner em Os Dez Mandamentos, que transformou o vilão em alguém tão memorável como o herói de Charlton Heston.

    Entretanto, o maior erro de Ridley Scott foi se esforçar para fazer o público entender a injustiça e horror da forma como os judeus eram tratados e abusados nas mãos egípcias. Nunca conhecemos realmente o povo, apenas vemos ministros egípcios comentando sobre número de escravos, o que distância os oprimidos do espectador. Sem falar que outro ponto importante, os Dez Mandamentos, ficam de lado e aparecem apenas em uma cena rápida.

    Apesar dos problemas, Êxodo: Deuses e Reis tem méritos por abordar a história clássica de forma diferente, sem pisar na bola como acontece em Noé. A tentativa do diretor de manter os milagres de Moisés no limite das explicações científicas e do misticismo é boa saída para não desagradar a religiosos e céticos e funciona bem na trama. A narrativa só perde ritmo quando chega a hora das dez pragas, que o transformam em um filme catástrofe acelerado. Entretanto, é exatamente para ver o espetáculo exagerado criado por Scott que a maioria das pessoas irá ao cinema ver esse conto milenar, então, o longa cumpre seu papel.



Deixe seu comentário
comments powered by Disqus