FACTOTUM - SEM DESTINO

FACTOTUM - SEM DESTINO

(Factotum)

2005 , 94 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bent Hamer

    Equipe técnica

    Roteiro: Bent Hamer, Jim Stark

    Produção: Bent Hamer, Jim Stark

    Fotografia: John Christian Rosenlund

    Trilha Sonora: Kristin Asbjørnsen, Trygve Brøske

    Estúdio: Bulbul Films, Canal+

    Elenco

    Adrienne Shelly, Didier Flamand, Fisher Stevens, Karen Young, Lili Taylor, Marisa Tomei, Matt Dillon, Tony Lyons

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Antes de falar do filme propriamente dito, lá vai mais um "puxão de orelha" nas distribuidoras brasileiras, que teimam em inventar cada vez que traduzem um título original. A produção americano-norueguesa Factotum, aqui no Brasil, recebe como subtítulo exatamente o nome de um dos filmes mais importantes do cinema moderno: Sem Destino. Assim, o nome "oficial" do filme no Brasil fica sendo Factotum - Sem Destino. Por que não Factotum - Casablanca, Factotum - E o Vento Levou ou Factotum - Cidadão Kane? Bom, isso só os gênios do marketing cinematográfico brasileiro poderão responder.

    "Factotum" - e isso é explicado logo nos letreiros iniciais - é uma expressão em latim que define o profissional de múltiplas atividades, o chamado "faz tudo", o "pau pra toda obra". "Sono il factotum della città...", já dizia a célebre ópera O Barbeiro de Sevilha. No filme, a expressão se refere a Henry Chinaski (Matt Dillon), um alcoólatra convicto, outsider até a alma, que não consegue manter seus empregos (ou subempregos) por mais tempo que um punhado de dias. Em alguns casos, de horas. Às vezes, dá sorte apostando em cavalos; outras vezes, consegue que alguma mulher - tão socialmente desajustada quanto ele - lhe dê casa, comida, sexo e roupa lavada. Mas, no fundo, Chinaski sequer se importa com esta situação, pois ele está firmemente determinado a se tornar um escritor. E acredita que, para isso, é preciso vivenciar cegamente todo e qualquer tipo de situação-limite. A vida, para ele, é um imenso laboratório de situações extremas que enriquecerão a sua literatura.

    Na verdade, Henry Chinaski é o alter ego do escritor Charles Bukowski (1920-1994) e Factotum é o nome de um de seus romances, publicado em 1975. Factotum - Sem Destino é baseado não apenas no livro homônimo como também em trechos de várias outras obras de Bukowski. Esta não é a primeira vez - e certamente não será a última - que o polêmico escritor é transposto para a tela. Crônicas de um Amor Louco (1981) e Barfly (1987), só para citar dois casos mais conhecidos, são outros exemplos de filmes baseados em Bukowski.

    O filme traz o atraente estilo clean e introspectivo do cineasta norueguês Bent Hamer, o mesmo do bom (e pouquíssimo visto) Histórias de Cozinha. Não há firulas nem malabarismos cinematográficos. A câmera de Hamer é parada, distanciada; o ritmo é calmo. A ação flui quase de forma lisérgica. O diretor faz um cinema extremamente sóbrio para retratar um personagem extremamente bêbado. E deste aparente paradoxo nasce um filme instigante, que propõe uma mensagem extremista de vida.

    No mínimo, Factotum - Sem Destino (ai, ai...) provoca, hipnotiza e faz pensar. O que não é pouco para o cinema de hoje.

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