FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO

FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO

(Fahrenheit 9/11)

2004 , 110 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Moore

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Moore

    Produção: Michael Moore

    Estúdio: Miramax Films

    Elenco

    George W. Bush (imagem de arquivo), Michael Moore

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Além de abalar as estruturas do governo Bush, além de se tornar o porta-voz de bilhões de pessoas pelo mundo que não suportam a arrogância militarista norte-americana e além, é claro, de ficar rico, o cineasta Michael Moore está promovendo uma outra revolução: a dos documentários "politicamente corretos". É o fim de uma era. Após o sucesso do estilo Moore, os documentaristas estão livres, liberados daquela tentativa gélida de transmitir com seus fimes uma falsa sensação de imparcialdade. Ora, se realmente o Meio é a Mensagem, ninguém é imparcial. E Moore põe por terra a aborrecida máscara "correta", da investigação eqüidistante, da frieza dos fatos. Temos agora um novo estilo de se fazer cinema documental, onde o documentarista intervem, opina, conduz, sim, seus entrevistados, edita tendenciosamente da maneira que melhor lhe convier, enfim, faz tudo aquilo que sempre foi considerado "errado" no gênero. Problema? Nenhum. Todo mundo sempre faz isso, só que de maneira velada. Moore escrachou, escancarou, levando (e elevando) o cinema documental ao status de blockbuster. E se supera em Fahrenheit - 11 de Setembro, produção que custou US$ 6 milhões e já rendeu mais de US$ 100 milhões nas bilheterias nos EUA, número impensável para o gênero até há muito pouco tempo. Porém, mais importante que o dinheiro arrecadado é a cruzada do cineasta em não permitir que Bush seja reeleito. Tanto que autorizou que seu filme fosse gratuitamente baixado via internet, para que um número maior de pessoas pudessem ter acesso às terríveis imagens.

    Cinematograficamente falando, Fahrenheit - 11 de Setembro atira na tela grande a fórmula denúncia/deboche que Moore sempre destilou em seu antigo programa TV Nation, nos documentários Roger e Eu e Tiros em Columbine e em seus livros. Porém, com um visível amadurecimento estilístico. A decisão, por exemplo, de não mostrar novamente as desgastadas imagens dos atentandos de 11 de setembro, substituindo-as por uma amarga tela totalmente preta e o som dos aviões se chocando na torres, se mostra das mais acertadas e emocionantes. A própria figura de Moore aparece menos que em seus trabalhos anteriores. E todo o destaque é dado para o conteúdo - e que conteúdo! - de suas denúncias. Só faltou dizer que foi o próprio Bush quem armou o atentando contra o próprio país, para se recuperar nas pesquisas de opinião. Teoria que, particularmente, eu defendo.

    Claro que é uma facilidade a mais denunciar e ridicularizar um presidente tão ridicularizável (e ridículo) como George W. Bush. Mas Moore teve coragem. Foi fundo na questão, levantou documentos, registrou imagens impressionantes no Iraque, desmontou o patriotismo tolo do povo norte-americano. Ganhou Palma de Ouro em Cannes e acabou escrevendo o seu próprio nome na história. Do cinema e da política. E se Bush perder as próximas eleições, ainda terá ajudado a realizar um grande feito para a humanidade.

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