FAMÍLIA VENDE TUDO

FAMÍLIA VENDE TUDO

(Família Vende Tudo)

2009 , 89 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 30/09/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alain Fresnot

    Equipe técnica

    Roteiro: Alain Fresnot, Marcus Aurelius Pimenta

    Produção: Pablo Torrecillas, Suzana Villas Boas

    Fotografia: José Roberto Eliezer

    Trilha Sonora: Arrigo Barnabé

    Estúdio: A.F. Cinema e Vídeo, Globo Filmes

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Ailton Graça, Babu Santana, Beatriz Segall, Caco Ciocler, Carol Leidefarb, Cláudia Juliana, Imara Reis, Juliana Galdino, Latino, Lima Duarte, Luana Piovani, Marisa Orth, Marisol Ribeiro, Neusa Maria Faro, Raphael Rodrigues, Robson Nunes, Vera Holtz

  • Crítica

    23/09/2011 12h50

    Será mesmo que o público disposto a pagar os preços salgados dos ingressos de cinema, acrescido de algum combo de pipoca com refrigerante, rejeita qualquer comédia que não seja estrambótica? A questão do “gosto do público”, cuja tentativa de compreensão é sustentada tanto por dados de pesquisa quanto pela “chutologia”, é pertinente a Família Vende Tudo, quarto longa-metragem de Alain Fresnot.

    Pornochanchada – sem o pornô –, Zorra Total e comédia italiana se encontram nesse filme. Uma família pobre que rebola para sobrevier decide vender a filha para um cantor famoso e sair da miséria. Espera aí: rebobine, por favor: decide vender a filha para um cantor. É isso mesmo: como pacote de Trakinas no supermercado, Lindinha é oferecida para o primeiro endinheirado pronto a cair nas armadilhas de uma Maria Chuteira – no caso, uma Maria Violão, já que a vítima é o cantor Ivan Carlos. Sai o ser humano, entra a mercadoria. E está tudo bem, tudo ótimo.

    Família Vende Tudo pisa sem dó em todos os seus personagens. Vai até o cotidiano do pobre, trata com arrogância a família do título, faz troça e oferece isso em forma de filme. O evangélico é um babaca com seus cultos risíveis cheio de música; a lésbica é uma dike que quer transar com a gostosona (e burra) do filme, Luana Piovani; o cantor popular é um brega que precisa ser castigado pela Direção de Arte, disposta a dizer “olha como ele tem mau gosto”; o negro é um potencial bandido, como ilustra a sequência final.

    O filme não está disposto a entender seus personagens, mas em utilizá-los como matéria-prima do riso em cima do pré-conceito – e dele não escapa ninguém. A sensação é de que o propósito é tirar sarro de todos eles. E a comédia já provou que não precisa ser arrogante para se dar muito bem com a atmosfera da classe média baixa e tratar com humor a sobrevivência diária: basta assistir a dois episódios do longa coletivo 5x Favela – Agora Por Nós Mesmos: Arroz com Feijão e Acende a Luz.

    O brega

    Em 2008, Carlos Reichenbach, mestre do cinema que tem se dedicado ao universo proletário desde Garotas do ABC, nos deliciou com Falsa Loura, filme que pulava do drama para a comédia com imensa facilidade e flertava com a estética do gosto popular, especialmente na música romântica, personificada pelos personagens de Maurício Mattar e Cauã Reymond.

    Por que a sensação de estranhamento com Família Vende Tudo não surge no filme de Reichenbach? Por que o correspondente do Ivan Carlos não é risível? Por que a ideia de príncipe encantado de Silmara (Rosane Mulholland) não provoca gargalhadas? Porque Falsa Loura não olha seus personagens de cima para baixo, estão todos no mesmo nível. Porque o filme respeita seus personagens.

    Outro exemplo: o documentário Faço de Mim o Que Quero, de Sérgio Oliveira e Petrônio Lorena, que se infiltra na cena brega recifense. As músicas de melodia simples e refrões-chiclete estão lá, assim como as roupas coloridas e coladas dos dançarinos. E por que esse filme não causa estranhamento? Porque também está no mesmo nível do que retrata (tanto que, já na primeira cena, a câmera é encaixada dentro do carrinho do camelô de CDs, ou seja, conotando que estamos todos nesse barco e o filme não vem sacanear um universo com seus códigos próprios.

    Vencedor de cinco prêmios no Cine PE 2011 – Atriz, Ator, Ator Coadjuvante, Direção de Arte e Trilha Sonora –, Família Vende Tudo tem humor chulo e expõe atores outrora grandiosos, como Lima Duarte ou Caco Ciocler, a situações constrangedores.

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