FAROESTE CABOCLO

FAROESTE CABOCLO

(Faroeste Caboclo)

2013 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/05/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • René Sampaio

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcos Bernstein, Victor Atherino

    Produção: Barbara Isabella Rocha

    Fotografia: Gustavo Hadba

    Trilha Sonora: Lucas Marcier

    Estúdio: Fogo Cerrado, Gávea Filmes, Globo Filmes, República Pureza Filmes, Telecine

    Montador: Marcelo Moraes

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Antônio Calloni, Caco Monteiro, Cesar Troncoso, Fabrício Boliveira, Felipe Abib, Flavio Bauraqui, Ísis Valverde, Marcos Paulo, Rodrigo Pandolfo

  • Crítica

    28/05/2013 22h19

    Está lá no dicionário: Adaptar, verbo transitivo cujos significados são adequar, por em harmonia, em conformidade, aplicar convenientemente. Foi isso que o cineasta René Sampaio e os roteiristas Marcos Bernstein e Victor Atherino fizeram com sensibilidade e destreza em Faroeste Caboclo, filme inspirado na célebre música de Renato Russo.

    Fãs da canção podem ficar despreocupados. O espírito do sucesso da Legião Urbana permeia todo o filme. Num átimo se está no universo do tal João de Santo Cristo, o rapaz que deixou o marasmo da fazenda só pra sentir no sangue o ódio que Jesus lhe deu. No entanto, Faroeste Caboclo não é uma mera transcrição dos versos da música. Ainda bem. Sampaio, sabiamente, fugiu da armadilha óbvia de transformar seu filme num videoclipe de 100 minutos. Ganha o espectador. Ganha o cinema.

    Na trama, conhecemos João de Santo Cristo, jovem de passado pobre que vai para Brasília trabalhar como aprendiz de carpinteiro para sobreviver. Apesar do talento, o dinheiro é pouco e mal dá para pra se alimentar. Decide então se virar como o primo Pablo. Entrar para o mundo do tráfico de drogas e, certo dia, fugindo da polícia, vai dar na janela de Maria Lúcia, por quem se apaixona.

    O triste film de Santo Cristo todos sabemos. Antes, vêm as festas na Asa Norte, o enfrentamento como Jeremias e as incursões ao inferno. Tudo bem retratado na tela, com reconstituição de época – o filme se passa nos anos 80 – impecável, detalhista e sem exageros cênicos.

    Por sinal, parcimônia é elemento elogiável no filme. Não somente no trabalho de direção de arte, mas na condução do caráter político contido na letra de Renato. Crítica social, desmando político, racismo, corrupção, está tudo lá, mas nada em tom panfletário.

    Apesar de conhecermos de antemão o fim trágico para o qual se encaminha nosso herói e sua amada, em nenhum momento tem-se a percepção de estar assistindo a uma história já contada por tão cantada e ouvida. O prazer está, justamente, em ver como se desenvolve na tela.

    E os acertos vão se sucedendo e a empolgação também. Cinema, no entanto, é trabalho de equipe e não há direção acertada, roteiro lapidado e proficiência técnica que se sustentem sem boas atuações, principalmente numa história de personagens densos como Faroeste Caboclo.

    Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo), Ísis Valverde (Maria Lúcia) e Felipe Abib (Jeremias) fazem excelente trabalho. Pegam personagens bem construídos pelo texto e dão verdade, carisma e personalidade a eles.

    Finalmente, quando o sol cega os olhos de Santo Cristo e ele reconhece Maria Lúcia carregando a Winchester 22, não os reconhecemos mais como atores faz tempo. Diante de nós, personificados, estão os tipos que, durante vários anos, permearam nossos pensamentos enquanto ouvíamos os versos de Renato Russo.

    O porco traidor do Jeremias finalmente tomba com cinco tiros, em cena muito bem dirigida, e os créditos sobem. E ninguém vai sair da sala até que o último nome cruze a tela. Impossível, afinal, estes nove minutos são embalados por Faroeste Caboclo, a música. Mais um filme para acrescentar a nosso cinema que só faz...crescer.

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