FAUSTO (2011)

FAUSTO (2011)

(Faust)

2011 , 134 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 29/06/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Aleksandr Sokurov

    Equipe técnica

    Roteiro: Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva, Yuri Arabov

    Produção: Andrey Sigle

    Fotografia: Bruno Delbonnel

    Trilha Sonora: Andrey Sigle

    Estúdio: Proline Film

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Andreas Schmidt, Antje Lewald, Antoine Monot Jr. Ondrej Novák, Anton Adasinsky, David Jonsson, Eva-Maria Kurz, Florian Brückner, Georg Friedrich, Hanna Schygulla, Isolda Dychauk, Joel Kirby, Johannes Zeiler, Jürgen Kluckert, Katrin Filzen, Lars Rudolph, Maxim Mehmet, Oliver Bootz, Prodromos Antoniadis, Santiago Ziesmer, Sigurður Skúlason

  • Crítica

    28/06/2012 13h02

    O novo filme do cineasta russo Aleksandr Sokurov é um tour de force para o espectador. É preciso estar ciente disso antes de encarar suas mais de duas horas de projeção repleta de experimentos estéticos. Para quem busca somente se entreter assistindo a algo dentro das convenções, o melhor é optar por outro filme.

    Superficialmente inspirada na lenda alemã de Fausto e suas muitas adaptações, incluindo um romance de Yuri Arabov e a clássica peça de Goethe, a produção fez sua estreia no Festival de Veneza 2011 de onde saiu com o Leão de Ouro de Melhor Filme.

    Em Fausto, Sokurov, que já havia brindado os amantes do cinema artístico de todo mundo em 2002 com Arca Russa, faz um versão muito particular – e um tanto prolixa, diga-se – do mito usando e abusando de distorções de lente e outros truques estilísticos que lhes são peculiares. O cineasta ambienta a história num mundo sombrio e fantástico equiparado a fotografias antigas com sua moldura quadrada e paleta filtrada em tons de verde lavados e cinza.

    Fausto (Johannes Zeiler) é um médico pobre que recorre ao agiota da cidade, interpretado com maestria por Anton Adasinsky. Uma personificação do mal em cada movimento, fala e maneirismos grotescos. Apesar de sua avidez por conhecimento, o Fausto de Sokurov tem desejos muito mais mundanos que vão se tornando claros no desenrolar do filme.

    Na maior parte da trama, Fausto segue o diabo num passeio de sonho pela cidade. Nesse interlúdio a câmera é uma ferramenta a serviço da estética desejada por Sokurov, gerando cenas que funcionam quase que como um fluxo de consciência. Os movimentos são constantes e os diálogos verborrágicos, o que me fez desejar compreender alemão para poder tirar os olhos das legendas e me concentrar mais nas imagens.

    Estas de fato são sublimes. Para além da fotografia impecável, incluem figurino e cenografia perfeitos em sua composição. O final, gravado em meio a gêiseres vulcânicos da Islândia, é o ponto alto deste espetáculo lúgubre feito para inebriar e incomodar a audiência.

    Fausto é um filme impressionista em sua execução. Sukorov já havia confessado em entrevista ter sido influenciado pelo pintor inglês William Turner (1775-1851), um dos precursores do Impressionismo. Assim como na pintura de Turner, o cineasta se recusa ao naturalismo e opta distorção própria da percepção sensorial do indivíduo.

    Pode ser um teste de paciência para o espectador, mas o propósito desse conto de fadas adulto é ser sombrio e perturbador, exigindo um esforço do espectador ao invés de entretê-lo.


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