FAVELA RISING

FAVELA RISING

(Favela Rising)

2005 , 80 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Jeff Zimbalist, Matt Mochary

    Equipe técnica

    Produção: Jeff Zimbalist, Matt Mochary

    Fotografia: Jeff Zimbalist, Kelly Mark Green, Matt Mochary

    Trilha Sonora: Force Theory, Neill Sanford Livingston

    Elenco

    Anderson Sá, André Luis Azevedo, José Junior, Michele Moraes, Zuenir Ventura

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Cidade de Deus foi um marco não somente no cinema brasileiro, mas mundial. Uma das conseqüências diretas do sucesso internacional do filme dirigido por Fernando Meirelles foi o crescente interesse dos "gringos" em relação às favelas do Brasil, especialmente as cariocas, como a que dá nome à produção de 2002. O documentário Favela Rising é a conseqüência direta desse interesse. Dirigido pelos norte-americanos estreantes na direção de um documentário Matt Mochary e Jeff Zimbalist, a produção apresenta o Brasil como os "gringos" querem ver: existe a miséria, mas também existe sua glamurização e a visão unilateral de situações sociais - como a dominação dos traficantes nos morros, ou mesmo a guerra entre bandidos e policiais.

    Favela Rising mostra o papel do grupo cultural AfroReggae dentro da comunidade Vigário Geral que, há mais de dez anos, tornou-se notória na mídia após uma chacina conduzida por policiais no local. O filme acompanha o drama vivido tanto pelos moradores quanto pelo AfroReggae, formado no mesmo ano da chacina, em 1993. Anderson Sá, vocalista da banda que leva o nome do grupo e Coordenador de Comunidades, é a figura central na condução desta história.

    Não há como negar que é mais do que válido o reconhecimento que o AfroReggae tem recebido. Este documentário - ganhador de prêmios concedidos pela Associação Internacional de Documentários e, também, no Festival de Tribeca - é mais uma das medalhas que o grupo tem recebido. E, enquanto a produção se restringe a registrar os fatos relacionados ao grupo e também suas conquistas, cumpre bem seu papel. No entanto, quando Favela Rising tenta tocar no aspecto social que não está diretamente ligado ao AfroReggae, derrapa feio. Existe esse tratamento maniqueísta de sempre estar apontando um culpado que, pelo menos entre quem vive por aqui, não funciona.

    Essa manipulação de opiniões acontece também por meio da montagem. Enquanto as barbaridades dos policiais junto aos cidadãos da favela são mostradas em grande parte do filme, pouco se fala sobre a violência que existe nas comunidades por conta de alguns de seus próprios moradores. Numa situação tão complexa quanto esta, não cabe essa visão maniqueísta impressa pelos realizadores do documentário.

    A fotografia, de cores estouradas, aliada à montagem de cortes rápidos, faz com que Favela Rising pareça um grande videoclipe, especialmente quando registra as apresentações do AfroReggae. Essas escolhas estéticas fazem com que a produção não seja levada tão a sério quanto deveria. Apesar de tornar o documentário mais palatável ao grande público, essas escolhas dão um tratamento menos sério ao tema do que ele merece. Talvez por isso, Favela Rising esteja fazendo tanto sucesso internacional, porém passando sem tanto alarde nos festivais brasileiros dos quais participou (como a prestigiada Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ou mesmo o Festival do Rio, lar da história contada na produção).

    Para quem está lá fora, essa história de superação do AfroReggae pode parecer uma salvação palpável aos problemas sociais brasileiros. No entanto, quem está aqui vivendo uma verdadeira guerra civil - e sabemos que ela não está mais restrita aos morros como os de Favela Rising - sabe que iniciativas como estas são válidas, porém somente um sopro de fôlego no meio de um mar que está pronto para nos afogar.

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