FELLINI: EU SOU UM GRANDE MENTIROSO

FELLINI: EU SOU UM GRANDE MENTIROSO

(Sono um Gran Bugiardo)

2003 , 103 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Damian Pettigrew

    Equipe técnica

    Roteiro: Damian Pettigrew, Oliver Gal

    Produção: Oliver Gal

    Fotografia: Paco Wiser

    Elenco

    Donald Sutherland, Federico Fellini, Italo Calvino, Roberto Benigni, Terence Stamp

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O Festival de Documentários de São Paulo tem um nome ótimo: "É Tudo Verdade". Resume a própria essência do gênero. Por outro lado, estréia neste final de semana no CineSesc, em São Paulo, um excelente trabalho documental chamado, justamente, Fellini: Eu Sou um Grande Mentiroso. E agora? Quem tem razão? O gênero documentário, por sua própria natureza o cinema em busca da verdade, ou o cineasta Damian Pettigrew, que logo no título de seu filme acena com a possibildade de estar mostrando ao público uma sucessão de mentiras? Devemos acreditar num entrevistado que se diz, antes de tudo, "um grande mentiroso"? Na verdade, não importa. Importa sim mergulhar durante hora e meia no fascinante universo paralelo criado pelo grande cineasta Federico Fellini (que a legenda em português insiste em grafar como "Frederico", que lástima!). Mesmo porque os filmes de Fellini nunca tiveram nenhum tipo de compromisso com a realidade. Pelo contrário, eram míticos, oníricos, mágicos.

    Fellini: Eu Sou um Grande Mentiroso registra uma pequena parte das mais de dez horas de entrevistas filmadas, que o famoso cineasta concedeu a Pettigrew. Além de entrecortar o material com cenas de alguns dos filmes mais conhecidos do velho mestre, o documentário também traz deliciosos e raros momentos de bastidores que revelam um Fellini bem mais irascível e bem menos doce do que normalmente se supõe. Há momentos de brigas até com seu ator favorito, Marcello Mastroiani. Paralelamente, logo após Fellini afirmar suavemente para a câmera que nunca teve problemas com seus atores, o documentário contrapõe ferozes testemunhos de Donald Sutherland e Terence Stamp, atacando sem meias palavras os métodos pouco ortodoxos do diretor italiano. Histriônico como sempre, Roberto Benigni continua falando inglês com um sotaque caricato, como se estivesse numa interminável campanha para ganhar o Oscar todos os anos. E outros amigos e colaboradores de Fellini se unem ao rol de testemunhais, nem sempre favoráveis ao documentado. Mas Fellini é assim mesmo: consegue enternecer sem ser unanimidade. Quando se vêem, esparsos pela telas, momentos fugazes de 8 e ½, Cidade das Mulheres, Casanova, surge uma vontade quase irresistível de correr para a locadora mais próxima e rever todos estes - e outros - clássicos de um dos poucos cineastas da história do cinema cujo nome próprio virou adjetivo. Felliniano, Chapliniano... são poucos os que conseguiram.

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