FEMME FATALE (2002)

FEMME FATALE (2002)

(Femme Fatale)

2002 , 110 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Brian De Palma

    Equipe técnica

    Roteiro: Brian De Palma

    Produção: Marina Gefter, Tarak Ben Ammar

    Fotografia: Thierry Arbogast

    Trilha Sonora: Ryûichi Sakamoto

    Elenco

    Antonio Banderas, Edouard Montoute, Eriq Ebouaney, Peter Coyote, Rebecca Romijn, Rie Rasmussen, Thierry Frémont

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Sou fã de Brian De Palma desde pequenininho. Vi e revi várias vezes Um Tiro no Escuro, Duble de Corpo, Carrie a Estranha, Os Intocáveis, Vestida para Matar. Por isso, foi bastante desagradável para mim acompanhar a decadência do cineasta, principalmente em Olhos de Serpente e Missão Marte. Da mesma forma que foi muito, muito prazeiroso ver o renascimento de De Palma no ótimo Femme Fatale.

    Envolvente da primeira à última cena, Femme Fatale trata de um dos temas favoritos do cineasta: a ilusão. As coisas que nunca são o que parecem ser. Por isso, nada mais apropriado que iniciar o filme com cenas filmadas durante o Festival de Cannes, já que nada é mais ilusório e enganador que o cinema. Tudo começa numa tórrida cena de sexo entre duas mulheres, no banheiro do chamado Palais du Cinèma, durante uma sessão do Festival. Uma bela loira (Rebecca Romijn Stamos, de X-Men, no papel que Uma Thurman perdeu ao engravidar) despe uma não menos bela morena (a modelo Rie Rasmussen, estreando no cinema) de seu precioso bustiê feito de ouro e pedras, avaliado em 10 milhões de dólares. Por baixo da porta do banheiro, um homem misterioso rouba a jóia, colocando uma réplica em seu lugar. Porém, o que seria um assalto milionário acaba se transformando num pesadelo: algo dá errado e a loira sai do lugar correndo e atirando. Agora, ela precisa mudar de visual, de identidade, de vida. E é melhor não contar mais nada, para não estragar as surpresas da trama.

    Femme Fatale é um filme para ser visto com muita atenção, de olhos bem abertos. Cada detalhe conta e De Palma ainda se dá ao luxo de, em algumas cenas, dividir a tela em duas ações paralelas. Ou até na mesma ação vista sob duas ópticas diferentes. Tudo é armado meticulosamente para enganar os olhos do espectador. Aliás, não só os olhos como também os ouvidos, já que a trilha sonora de Ryuichi Sakamoto abertamente se apóia em Ravel e Bernard Hermann para criar seu painel de ilusões sonoras.

    Femme Fatale é o tipo do filme que dá vontade de rever logo após terminar de vê-lo, para assim (re) conferir todas as pistas que o cineasta ardilosamente joga para o público durante a projeção. Infelizmente, porém, parece que De Palma exigiu demais da atenção e da inteligência do público norte-americano: lá, o filme rendeu menos de US$ 7 milhões, apenas 1/5 de seu custo. Azar deles, que não entenderam nada.

    22 de janeiro de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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