FILHAS DO VENTO

FILHAS DO VENTO

(Filhas do Vento)

2005 , 85 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joel Zito Araújo

    Equipe técnica

    Roteiro: Di Moretti

    Produção: Carla Gomide, Joel Zito Araújo, Marcio Curi

    Fotografia: Jacob Sarmento Solitrenick

    Trilha Sonora: Marcus Viana

    Distribuidora: RioFilme

    Elenco

    Beatriz Almeida, Cida Moreno, Danielle Ornellas, Jonas Bloch, Léa Garcia, Maria Ceiça, Milton Gonçalves, Mônica Freitas, Rocco Pitanga, Ruth de Souza, Taís Araújo, Thalma de Freitas, Vitória Viana, Zózimo Bulbul

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Filhas do Vento, vencedor de oito Kikitos no Festival de Gramado 2004, é uma obra de arte repleta de imagens e paisagens belíssimas. Chama a atenção para o racismo sem dar um tapa na cara, de uma maneira confortável e envolvente - até demais -, o que pode causar uma certa desilusão a quem acompanha o trabalho do diretor. Joel Zito Araújo é autor do livro e documentário A Negação do Brasil - O Negro na Telenovela Brasileira. Especialista em cultura negra, é Doutor em Ciências da Comunicação na ECA/USP.

    O filme conta o drama de duas irmãs, que ficam separadas durante 45 anos por causa de um mal-entendido amoroso. Suas vidas seguem caminhos diferentes. Ju (Léa Garcia) torna-se mãe, filha e avó dedicada, no interior de Minas Gerais, enquanto Cida (Ruth de Souza) concentra-se na carreira de atriz, no Rio de Janeiro. A morte do pai faz com que se reencontrem e encarem os ressentimentos e mágoas do passado. Zé das Bicicletas (Milton Gonçalves) era o chefe da família, rigoroso e nada amoroso, que criou suas filhas com o medo do abandono, pois sua esposa fugira para ser artista de circo. Ele sempre culpou o destino e o vento de levarem embora alguém que amou.

    A questão do racismo está presente em Filhas do Vento, principalmente nas personagens Cida e sua sobrinha Dorinha (Danielle Ornellas). Atrizes de talento, elas não conseguem reconhecimento pelo fato de serem negras, principalmente Dorinha, que nunca conseguiu um papel de destaque, só figuração em alguma senzala ou favela. Ambas se identificam como se fossem mãe e filha, enquanto Selminha (Maria Ceiça), verdadeira filha de Cida, não consegue aproximação com a mãe, a qual culpa por não saber o nome de seu pai.

    Taís Araújo e Thalma de Freitas interpretam Cida e Ju quando jovens. A passagem de tempo é feita de uma maneira majestosa, mostrando o envelhecimento do corpo, mas não da alma, nem dos desejos, por meio de um jogo de sombras e enquadramentos, resultando em uma belíssima fotografia. O elenco não surpreende, principalmente por possuir atores consagrados como Milton Gonçalves e Ruth de Souza. Mesmo assim, há uma dupla que se destaca: Thalma de Freitas e Léa Garcia, que mantêm o vigor da personagem Ju, como se fossem a mesma pessoa.

    A história em si de Filhas do Vento não segura a atenção do público por cair na mesmice dos rancores e conflitos familiares. Afinal, quem nunca assistiu a um filme no qual irmãos brigam, pais odeiam filhos e outras desavenças? Mas, em um contraponto, a produção acerta na ambientação, com iluminação adequada, trilha sonora envolvente, tudo sob a maestria de uma direção que consegue criar um clima como se estivéssemos no aconchego de um lar mineiro.

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