Pôster de O Filho de Saul

FILHO DE SAUL

(Saul Fia)

2015 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/02/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • László Nemes

    Equipe técnica

    Roteiro: Clara Royer, László Nemes

    Produção: Gábor Rajna, Gábor Sipos

    Fotografia: Mátyás Erdély

    Trilha Sonora: László Melis

    Estúdio: Films Distribution

    Montador: Matthieu Taponier

    Distribuidora: Ad Vitam

    Elenco

    Amitai Kedar, Attila Fritz, Christian Harting, Eszter Csépai, Géza Röhrig, Jerzy Walczak, Juli Jakab, Kamil Dobrowolski, Levente Molnár, Marcin Czarnik, Mendy Cahan, Molnar Levente, Sándor Zsótér, Todd Charmont, Urs Rechn, Uwe Lauer

  • Crítica

    03/02/2016 12h29

    Por Iara Vasconcelos

    Produções que retratam a Segunda Guerra Mundial são tão comuns que o assunto já virou um subgênero do cinema. Mas assim como em O Pianista e O Menino Do Pijama Listrado, o diretor húngaro László Nemes, estreante em longas-metragens, focou seus esforços em um dos episódios mais obscuros desse período: O Holocausto Nazista. Tudo contado através do olhar de um dos judeus enclausurados em um campo de concentração.

    A trama acompanha Saul Ausländer, um dos prisioneiros que atuava no Sonderkommando, grupo de judeus que trabalhava forçadamente na máquina de extermínio nazista ao serem obrigados a contribuir com a morte de seus semelhantes. Durante a triste e rotineira limpeza da câmara de gás, ele reconhece o corpo de seu filho pequeno.

    A par do tratamento animalesco dado aos corpos dos prisioneiros, ele resolve dar um enterro digno à criança sem que seus tiranos comandantes percebam, iniciando assim uma caçada agonizante por um rabino que possa realizar os rituais necessários.

    Quando se trata de filmes com temática de guerra, o realismo e a brutalidade são elementos quase impossíveis de se escapar. Com relação a isso, Filho De Saul cumpre bem o seu papel. Toda a atmosfera pesada e melancólica dos campos de concentração transparece ao espectador. As dependências claustrofóbicas do covil nazista se materializam na situação sufocante pela qual o protagonista é submetido. De quebra, Nemes optou por um enquadramento mais fechado, com planos que quase sempre focam no rosto do protagonista, deixando claro que aquela história é contada a partir de seu ponto de vista, o que torna a experiência ainda mais pessoal.

    O trabalho sonoro feito no filme é capaz de potencializar os horrores mostrados na tela. Em uma das cenas, por exemplo, os judeus são levados para dentro da câmara de gás e podemos ouvir – em off – os sons de suas mãos batendo em busca de socorro aumentarem gradualmente para depois cessarem por completo, quando não há mais vida dentro da sala.

    O desfecho de Filho De Saul pode parecer muito vago e sem respostas, mas fica claro que a intenção de Nemes nunca foi trazer uma narrativa tradicional - ou seja, contar uma história - e sim materializar a terrível experiência de um campo de concentração, numa espécie de experimento sensorial. No final, nunca ficamos sabendo ao certo se o filho de Saul era real ou apenas uma metáfora de seu desejo de liberdade e redenção, mas essa resposta é apenas um dos elementos que essa obra nos deixa refletir.

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