FILHOS DA ESPERANÇA

FILHOS DA ESPERANÇA

(Children Of Men)

2006 , 114 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/12/2006

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alfonso Cuarón

    Equipe técnica

    Roteiro: Alfonso Cuarón, David Arata, Hawk Ostby, Mark Fergus, Timothy J. Sexton

    Produção: Eric Newman, Hilary Shor, Iain Smith, Marc Abraham, Tony Smith

    Fotografia: Emmanuel Lubezki

    Trilha Sonora: John Tavener

    Estúdio: Hit & Run Productions, Strike Entertainment, Universal Pictures

    Elenco

    Alexandre Bestavashvili, Andrew Brooke, Atalanta White, Barnaby Edwards, Barry Martin, Billy Cook, Bruno Ouvrard, Caroline Lena Olsson, Charlie Hunnam, Chiwetel Ejiofor, Chris Gilbert, Clare-Hope Ashitey, Clive Owen, Danny Huston, Denise Mack, Dermot O'Neill, Dhaffer L'Abidine, Dorothy Grumbar, Ed Westwick, Ernesto Tomasini, Faruk Pruti, Francisco Labbe, Galina McWhirr, Gary Hoptrough, Georgia Goodman, Goran Kostic, Ida Church, Ilario Bisi-Pedro, Jacek Koman, Jamie Kenna, Jody Halse, Jon Chevalier, Joy Richardson, Juan Gabriel Yacuzzi, Julianne Moore, Keith Dunphy, Kim Fenton, Laurence Woodbridge, Maria McErlane, Martina Messing, Maurice Lee, Michael Caine, Michael Haughey, Michael Klesic, Milenka James, Miriam Karlin, Mishal Husain, Nabil Shaban, Nihal Arthanyake, Nirmala Martis, Oana Pellea, Pam Ferris, Paul Sharma, Peter Mullan, Philippa Urquhart, Phoebe Hawthorne, Ray Trickett, Rebecca Howard, Rita Davies, Rob Curling, Rob Inch, Simon Poland, Somi De Souza, Tehmina Sunny, Thorston Manderlay, Valerie Griffiths, Yolanda Vazquez

  • Crítica

    08/12/2006 00h00

    Em 2027, as mulheres não conseguem mais ter filhos; a pessoa mais jovem do mundo tem 18 anos e alguns meses; a guerra se espalha pelas ruas das grandes capitais anunciando um verdadeiro colapso mundial. Esse é o cenário criado pela escritora P.D. James no livro The Children Of Men, inédito no mercado brasileiro, que deu base à criação do roteiro de Filhos da Esperança. O drama, que se passa em Londres, mostra uma sociedade futurista distópica.

    A ação é centrada na figura de Theo (Clive Owen), um homem que parece ter desistido de sentir algo pela humanidade que se desfaz na frente de câmeras de TV. Vivendo numa sociedade de teores fascistas, cujo governo persegue imigrantes como se fossem criminosos, onde a guerra civil é tão iminente quanto a infertilidade das mulheres, Theo encontra raros momentos de tranqüilidade ao lado do melhor amigo, Jasper (Michael Caine), um divertido hippie que ouve bandas como Deep Purple e Radiohead enquanto fuma um baseado como uma forma de conservar-se nos tempos antigos, quando a vida ainda era boa. Theo passa por toda a ebulição social à sua volta tentando não se envolver. Mas, quando Julian (Julianne Moore) reaparece em sua vida, tudo muda de forma radical. De repente, o protagonista é inserido até o pescoço numa jornada de teores não somente políticos, mas totalmente pessoais, a fim de salvar talvez a última esperança que as pessoas possam encontrar no meio de tanto caos.

    No auge de sua maturidade como diretor, o mexicano Alfonso Cuarón (E Sua Mãe Também) conduz o espectador por meio de um cenário caótico. Perde nos momentos em que focaliza uma verdadeira guerra que se forma entre rebeldes e Exército. Mas ganha, e muito, quando mostra o drama do protagonista em proteger o símbolo da esperança presente no título da produção. Também é interessante observar os paralelos que traça entre ficção e realidade quando foca a falha da organização rebelde em tentar, por meio da violência, enfrentar o governo fascista. Em diversos pontos, o filme assemelha-se com o recente V de Vingança, mas aprofunda-se mais no drama e menos no estilo estético do filme baseado em HQ homônima.

    Merecem destaque, além das atuações (especialmente de Michael Caine, adorável e comovente como o cartunista político amigo do protagonista), os cenários que compõem a Inglaterra futurista idealizada por Cuarón. Ao mesmo tempo em que é distópica, é completamente realista, ajudando para que o filme envolva o espectador da forma que pretende. Assim como a trilha sonora, que exerce função essencial para a criação dos climas necessários ao longa-metragem.

    A premissa de Filhos da Esperança é forte: é estranho imaginar um mundo sem o barulho de crianças nem choros de bebês - coisas que incomodam a maioria das pessoas. Nunca pensamos que esses barulhos que tiram os mais estressados do sério significam alguma esperança. Piegas? Bastante, mas a forma como Cuarón desenvolve essa premissa é capaz de emocionar de uma forma bastante sincera. Talvez o instinto maternal que as mulheres carregam em seus ventres faça com que esse público deixe a lágrima correr mais solta.

    Apesar de não explicar direito por que as mulheres se tornaram férteis, nota-se que não é algo tão absurdo de acontecer em vinte anos. Por ser tão bem contextualizado em relação ao panorama sócio-político que encontramos atualmente, apesar de apenas dar pinceladas em relação ao pano de fundo que levou a sociedade a essa situação, Filhos da Esperança assusta. E comove.

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