FILHOS DE JOÃO, O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO

FILHOS DE JOÃO, O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO

(Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano)

2010 , 76 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 22/07/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Henrique Dantas

    Equipe técnica

    Produção: Adler Paz, Bau Carvalho, Solange Lima

    Fotografia: Hans Harold

    Distribuidora: Pipa Filmes

  • Crítica

    10/07/2011 08h00

    Documentários musicais, o filão que o cinema brasileiro mais tem explorado nos últimos dois anos. Se você já enjoou de ver filmes sobre artistas, guarde um espaço no seu coração para assistir a Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano.

    Algumas razões para o filme de Henrique Dantas ser particular em meio a tantos ótimos (e outros não tão bons) documentários musicais. Os personagens principais são os Novos Baianos, mas não se trata de um filme apenas sobre sua trajetória integral. O roteiro escolhe um pequeno detalhe no caminho do grupo sintonizado com as mudanças comportamentais da década de 60 e 70: a influência de João Gilberto na transformação de um som que tendia para o rock se direcionar para a música popular brasileira.

    Filhos de João, Admirável Novo Mundo Baiano, que ganhou o prêmio de público do Festival de Brasília, também não é um filme sobre música. Moraes Moreira toca seu violão, Galvão explica suas composições e Pepeu esmerilha na guitarra. Porém, trata-se de um documentário que registra uma época e como o sentido de comunidade era moeda corrente naqueles jovens.

    Ao ir além do grupo que dá base a seu filme, Dantas consegue levar seu filme a quem não tem pré-adesão aos Novos Baianos. Você não precisa achar aqueles cabeludos e cabeludas gênios da música, basta queimar essa etapa para enxergar o passo além: como é observar, no século 21, mantido pela individualidade, um momento histórico em que o comum e o coletivo era mais importante?

    Nesse sentido, Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano é único ao captar o espírito de uma época.

    Sem contar que Dantas foi muito sutil ao falar do fim de um grupo que, em escala maior, representa o fim de uma era mundial. Em meados dos anos 70, as aspirações da década anterior começavam a ir para o ralo. O grupo começa a se deteriorar em 1974, data da saída de Moraes Moreira – o mesmo momento em que uma geração de cineastas americanos que achou ser possível destruir Hollywood por dentro perdeu a batalha. Os anos 80 infelizmente começaram já nos anos 70.

    Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano poderia até ter se concentrado nas razões do fim da banda, quem brigou com quem, o fato de Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo) ter pedido cachê para autorizar a inclusão de seu depoimento. Com a sequência inicial já dá uma ideia das razões e se defende com uma frase de Pepeu Gomes. “Tínhamos muitas coisas ruins, mas prefiro me lembrar das boas”. Foram o resultado e o espelho de uma época. Quando ela acabou, o grupo acabou.

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