FILMAR OBSTINADAMENTE, UM ENCONTRO COM PATRICIO GUZMAN

FILMAR OBSTINADAMENTE, UM ENCONTRO COM PATRICIO GUZMAN

(FILMER OBSTINÉMENT, RENCONTRE AVEC PATRICIO GUZMAN)

2014 , 100 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Boris Nicot

    Equipe técnica

    Roteiro: Boris Nicot

    Produção: Gérald Colas

    Fotografia: Boris Nicot, Denis Gaubert

    Estúdio: Institut National de l'Audiovisuel (INA)

    Montador: Boris Nicot

    Elenco

    Patricio Guzmán

  • Crítica

    09/10/2014 09h30

    Patricio Guzmán é considerado um dos documentaristas mais importante da história do Chile. Político, autoral e de extrema importância para a proteção da memória do povo chileno, o diretor, ao longo de mais de 40 anos de carreira, preservou boa parte de uma história marcada por uma das ditaduras mais violentas da América Latina.

    É o homem por trás da lente que está em Filmar Obstinadamente: Um Encontro Com Patricio Guzmán, dirigido pelo francês Boris Nicot. Durante pouco mais de 90 minutos conhecemos um pouco do que pensa, ouvimos as experiências e entendemos as motivações que levaram Guzmán a se tornar uma das peças-chave da memória de um povo que precisa deixar para trás as dores de sua trajetória, sem esquecê-las. "O Chile é um país construído em torno da dor", diz quando tenta compreender porque sua pátria ainda tem tanta dificuldade em lidar com o passado.

    O documentário faz, então, uma viagem pela obra do artista, repetindo trechos de seus trabalhos e procurando compreender como foram construídos. Seja quando prezou pelo trabalho meramente histórico, como em A Batalha do Chile (um elogiado trabalho histórico de documentação de várias horas), seja quando investigou a herança da ditadura Pinochet, em Chile, La Memoria Obstinada, o diretor sempre prezou por um trabalho técnico e pelo cuidado ético ao contar histórias de gente tão sofrida.

    Sua esquematização, as fórmulas quase matemáticas para construir sentido e o seu talento nato como entrevistador também permeiam momentos aqui e ali neste registro sensível do cinema de GuzmánBoris Nicot dirigiu, é fato, um documentário que nos dá espaços, deixa lacunas.

    Há algo de inspirador nessa jornada de um homem que apenas usou seu talento, algo como uma vocação natural que torna quase impossível separar homem e obra. Seu trabalho sempre esteve à serviço da tentativa de mostrar ao mundo a realidade de um Chile preso uma guerra diária para se reencontrar.

    Nicot, tão sensível quanto Guzmán, teceu uma homenagem merecida e tão inspiradora quanto a história de um homem que preserva as memórias que, de fato e de direito, são parte daquilo que somos.

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