FILMEFOBIA

FILMEFOBIA

(FilmeFobia)

2008 , 80 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 30/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kiko Goifman

    Equipe técnica

    Roteiro: Hilton Lacerda, Kiko Goifman

    Produção: Jurandir Müller, Roberto Tibiriçá

    Fotografia: Aloysio Raulino

    Trilha Sonora: Livio Trachtenberg

    Elenco

    Ariel Bogochvol, Cris Bierrenbach, Hilton Lacerda, Jean-Claude Bernardet, Livio Trachtenberg, Luiz Cabral, Ravel Cabral, Thiago Amaral, Vitor Ângelo

  • Crítica

    30/04/2009 00h00

    "A única imagem verdadeira é a de um fóbico diante de sua fobia". Esta foi a premissa do ensaísta Jean-Claude Bernardet (São Paulo, Sinfonia e Cacofonia) que iniciou um processo cinematográfico que se tornaria o FilmeFobia, um filme que contém outros dois dentro de si.

    O primeiro é um suposto documentário que busca observar a reação de fóbicos frente a seus medos. O segundo, um making of sobre essa experiência de observação. Há também um terceiro filme, que só existe na cabeça de Bernardet, que em FilmeFobia interpreta um diretor em busca da imagem-símbolo.

    Como bonecas russas: o espectador toca, primeiramente, a boneca grande, que contém dentro de si outra menor. Esta, por sua vez, também tem outra. Todas são "parentes", mas de tamanho de diferentes. O longa também é assim: essas três camadas têm pesos diferentes, mas são primas.

    Isso já demonstra um alto grau de ousadia incutido por Kiko Goifman, diretor do filme que chega aos cinemas, de Bernardet e da equipe que aceitou participar dessa experiência, que se auto-interpreta. Essa ousadia empurra o espectador para a ação, para ocupar uma posição na qual ele constrói o filme que quiser em sua cabeça. Está livre para chamar o diretor de sádico, os fóbicos de exibidos, reclamar que tudo no cinema é atuação, que a imagem é a mediação da realidade. E, acima de tudo, pode contestar se a premissa do filme ("a única imagem verdadeira é a de um fóbico diante de sua fobia") é sólida.

    Em tempos de informação em demasia, combinada com parca capacidade de articulá-la, é muito pertinente essa busca da imagem que não esteja "contaminada". Porém, surge uma aresta: o que leva um fóbico de botões, por exemplo, aceitar entrar em uma casa, ficar contra a parede e permitir que uma catapulta improvisada atire centenas de botões sobre si? Enfrentar seu medo ou compartilhar da cultura da exposição da vida privada?

    O que garante que ele não esteja atuando? Como prever que suas reações não são exacerbadas? Exatamente por essas questões que FilmeFobia, apesar de misturar fóbicos reais com atores interpretando histórias alheias, é uma ficção: em última instância, fóbicos interpretam o seu medo, representam e materializam suas fobias para a câmera e para um diretor (Jean-Claude) que busca a imagem cinematográfica perfeita. Tudo não passa de uma construção, ou seja, cinema. O que Bernardet define como "autoficção", algo como o sujeito se reinventar por meio do cinema.

    Frente a FilmeFobia, o espectador só tem uma opção: reagir, assim como um fóbico faria com seu medo. É praticamente impossível assistir ao longa e se abster de um posicionamento e iniciar o processo de leitura que vai longe. Essa é uma das funções do cinema.

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