FIM DA LINHA

FIM DA LINHA

(Fim da Linha)

2008 , 80 MIN.

10 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 07/03/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Steinberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Guilherme Werneck, Gustavo Steinberg

    Produção: Gustavo Steinberg

    Fotografia: Aloysio Raulino

    Trilha Sonora: Guilherme Werneck, Gustavo Santaolalla, Maria Brant

    Estúdio: Bits Filmes

    Elenco

    Gisela Reimann e Daniela Camargo, Leonardo Medeiros, Lulu Pavarin, Maria Padilha, Rubens de Falco

  • Crítica

    07/03/2008 00h00

    Visivelmente inspirado pelas críticas sociais em forma de cinema feitas por Sergio Bianchi em filmes como Quanto Vale Ou É Por Quilo e Cronicamente Inviável, Fim da Linha é a estréia do produtor e roteirista Gustavo Steinberg na direção de um longa-metragem de ficção.

    O filme abre com a história do italiano Carlos Ponzi, um golpista que ludibriou milhares de norte-americanos, aplicando o "golpe da pirâmide" - na qual os lucros são acumulados proporcionalmente à adesão dos interessados - e, desta forma, ficando milionário (somente Ponzi, no caso). O foco da história de Fim da Linha não é Ponzi, mas sim o enriquecimento fácil que todos procuram, o mesmo que os americanos enganados por Ponzi visavam. Coisa não só de brasileiro, mas, definitivamente, encontrada em todas as esferas sociais no país.

    O repórter Artur (Leonardo Medeiros) é idealista, como tantos outros que o cinema já retratou. Mesmo sem dinheiro para sustentar a mulher e o filho (Gisela Reimann e Bruno Fagundes), segue vivendo de trabalhos free lancers, gravando reportagens em vídeo sobre assuntos que não interessam à mídia mainstream - portanto, difíceis de serem comercializadas. Ele não sabe como enriquecer com seu trabalho, então resolve apostar na loteria. Ele acha um bilhete que pensa ser premiado, mas ele roda nas mãos de todos os personagens. Também temos a história de uma mãe (Daniela Camargo) cujo bebê foi seqüestrado; ela é a amiga da esposa do repórter. Tem também uma taxista (Lulu Pavarin) que sempre está na hora e locais corretos para interagir com os personagens da trama, os velhinhos de um asilo, uma mendiga muda, uma tribo indígena que faz uma greve da dança da chuva (por mais absurdo que isso possa parecer); o deputado Ernesto Alves (Rubens de Falco, que morreu pouco antes da estréia do longa nos cinemas), que não sabe o que fazer com tanto dinheiro que "acumulou" ganhando na loteria. Exatas 1313 vezes.

    Como você pode perceber, são muitos personagens e situações que culminam numa chuva de dinheiro. Existe um humor sarcástico, inserido num roteiro capaz de lidar com tantas situações e personagens. No entanto, Fim da Linha peca na direção de atores. Salvo exceções como Leonardo Medeiros, sempre muito bom, o elenco parece estar engessado, principalmente pelo texto duro, que soa falso. Isso ostra que não adianta o roteiro conseguir resolver situações se os diálogos não são naturais. As cenas fluem naturalmente, mas os diálogos não, atravancando a evolução do longa.

    A trilha sonora é trabalhada de uma forma original, funcionando quase como mais um elemento na composição deste patchwork de situações sociais extremas, mas verdadeiramente inspiradas no Brasil. Ao mesmo tempo, os personagens e acontecimentos extremamente absurdos tiram um pouco da seriedade que a produção poderia ter nessa crítica social. Talvez não tenha sido esta a idéia de Steinberg, mas sim usar do humor para fazer uma sátira à realidade brasileira que, vamos combinar, também é bem absurda. Neste caso, Fim da Linha funciona.

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