FLAMENCO

FLAMENCO

(Flamenco)

1995 , 105 MIN.

anos

Gênero: Musical

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carlos Saura

    Equipe técnica

    Roteiro: Carlos Saura

    Produção: Juan Lebrón

    Fotografia: Vittorio Storaro

    Estúdio: Juan Lebrón Produciones

    Elenco

    Enrique Morente, Joaquín Cortés, Lola Flores, Manolo Sanlucar, Paco de Lucia, Tomatito

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Antes tarde do que nunca. Chega ao Brasil – com seis anos de atraso – o belo filme Flamenco, dirigido por Carlos Saura. Depois de Bodas de Sangue, Carmen, Amor Bruxo (e antes de Tango), Saura novamente destila uma bem equilibrada mistura de música e cinema, realizando um verdadeiro documento musical sobre uma das expressões artísticas mais típicas da Espanha: o canto e o bailado flamencos.

    Não há história. Não há trama. Trata-se de uma sucessão de 20 números musicais representativos dos diversos estilos de cantar e dançar o flamenco. A proposta é bem diferente dos demais filmes/musicais do diretor, posto que não existe sequer uma tênue linha de ficção que sustente as apresentações. Flamenco é canto e dança do início ao fim. O que restringe o público do filme apenas a quem tenha um interesse muito específico pelo assunto.

    Porém, os fãs de cinema podem apreciar em Flamenco mais um belíssimo trabalho de Vittorio Storaro. O genial diretor de fotografia italiano se apóia em vários painéis para compor o visual do filme. Eles são lisos, grandes, verdadeiras telas em branco que serão pintadas com as silhuetas e as luzes fortes de Storaro. Por detrás deles podem surgir, num instante, o ardente sol da Andaluzia, o negro da noite contrastando com uma lua forte ou sombras das mais dramáticas. Três anos depois, Storaro melhoraria ainda mais esta técnica no belíssimo Tangos, também dirigido por Saura.

    Este apuro técnico, porém, não é suficiente para segurar o interesse do filme por todos os seus 100 minutos de projeção. Para curtir Flamenco, em toda a sua exuberância, é necessário ter uma forte identificação com a cultura espanhola. Infelizmente, as canções não são legendadas e entender o idioma também não basta, já que o canto flamenco é entoado de forma estilizada, muitas vezes exasperada, praticamente dentro de um dialeto próprio.

    Musical e documentalmente, trata-se de um trabalho dos mais competentes. Como entretenimento cinematográfico, porém, pode chocar os gostos menos abertos a estilos diferenciados.

    31 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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