Florbela

FLORBELA

(Florbela)

2012 , 119 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/05/2014

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Vicente Alves do Ó

    Equipe técnica

    Roteiro: Vicente Alves do Ó

    Produção: Pablo Iraola, Pandora da Cunha Telles

    Fotografia: Luís Branquinho

    Estúdio: Instituto do Cinema e do Audiovisual, Radiotelevisão Portuguesa, Ukbar Filmes

    Montador: João Braz

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Albano Jerónimo, Ana Sofia Campos, Anabela Teixeira, António Fonseca, Beatriz Leonardo, Carmen Santos, Dalila Carmo, Ivo Canelas, Joana Figueira, José Neves, Juliete A. Santos, Maria Ana Filipe, Marques D'Arede, Miguel Ferreira, Nuno Miranda, Rita Loureiro

  • Crítica

    29/04/2014 09h07

    Retratar cinematograficamente as tramas da literatura é um desafio para qualquer diretor, já que os dois mundos nem sempre se encontram. Ainda assim, não é impossível fazer um trabalho bem-feito. Com relações mal aprofundadas e interpretação pouco convincente, Florbela demonstra reducionismo ao retratar a vida de Florbela Espanca, uma das maiores poetizas de todos os tempos.

    Na trama, Florbela não consegue levar uma vida de dona de casa e esposa na cidade de Matosinhos, região rural de Portugal. Seu desejo de descobertas a leva a encontrar o irmão Apeles na grande Lisboa, onde pode enfim reencontrar o mundo que tanto sonhava: o da liberdade. Embora o marido tente trazê-la de volta, e o irmão seja obrigado a partir, Florbela sente que encontrou seu lugar no meio do caos da capital. Entre a tentativa de ser uma esposa padrão e o desejo de ser uma mulher livre, vive as antagônicas emoções de um ser em conflito.

    O espírito livre de Florbela Espanca, historicamente conhecido pelas escolhas que fez na vida e pelo perfil de poemas que produziu, até surge caracterizado pela atuação Dalila Carmo. No entanto, há detalhes sobre o processo de amadurecimento da poetiza que parecem negligenciados pela produção. O corte de Vicente Alves do Ó parece se esforçar em fazer o público acreditar na imagem que escolheu de Florbela sem questionamentos: ela é rebelde e não aceita ser domada por um homem e pela sociedade machista. Apenas.

    Impossível não citar, neste sentido, o retrato de Stephen Daldry para a Virginia Woolf de As Horas, que dedicou uma de suas três narrativas ao processo de criação de Mrs. Dalloway, obra mais popular da escritora inglesa. Contemporâneas, Virginia e Florbela foram duas das mais importantes representantes de uma escola literária que retratava as inquietações da posição social da mulher no início do século XX.

    Embora extremamente relevante, a discussão em questão foi muito mais privilegiada em As Horas do que em Florbela, que em partes parece reduzir a escritora portuguesa a uma mulher obcecada pelo irmão e avessa à vida de casada em uma abordagem bastante simplista.

    A direção de Alves do Ó ousa com sucesso em algumas passagens da história da escritora. Os takes que revelam os sonhos de Florbela, seja dormindo ou acordada, são belos e interessantes. O uso das cores e a ambientação da atmosfera onírica provocam sensações em quem assiste. 

    Ainda assim, o filme mais peca do que acerta. Alguns dos temas mais caros da poesia da escritora como a erotização, a defesa da feminilidade e o panteísmo são completamente esquecidos. E seus poemas fazem falta ao longo do rolo: o espectador sai do cinema sem ouvir nenhum deles por completo. 

    Em suma, o filme de Alves do Ó pode ser considerado esteticamente bem-executado, mas sua beleza não garante que o público guarde a verdadeira impressão de quem foi Florbela Espanca e de sua contribuição à literatura. Para uma biografia, faltou mergulhar mais fundo na história e na identidade da poetisa. Só assim para alcançar os conflitos da mente e história de uma mulher tão à frente de seu tempo.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus