FLORDELIS - BASTA UMA PALAVRA PARA MUDAR

FLORDELIS - BASTA UMA PALAVRA PARA MUDAR

(Flordelis - Basta uma Palavra Para Mudar)

2009 , 100 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 09/10/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Anderson Corrêa, Marco Antônio Ferraz

    Equipe técnica

    Roteiro: Ed Nóbrega, Marco Antônio Ferraz

    Produção: Anderson do Carmo

    Fotografia: Carlos Cerqueira

    Trilha Sonora: MK Music

    Distribuidora: Art Films

    Elenco

    Aline Moraes, Ana Furtado, Cauã Reimond, Deborah Secco, Fernanda Lima, Letícia Sabatella, Letícia Spiller, Marcello Antony, Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Hilbert

  • Crítica

    06/10/2009 13h29

    Uma das coisas que mais me fascina nesta mágica profissão de crítico de cinema é a eterna capacidade que a Sétima Arte tem de nos surpreender. Este ano de 2009 tem sido muito especial para mim, pois estou completando 30 anos de crítica cinematográfica. Porém, jamais poderia sequer sonhar que, exatamente neste momento comemorativo, eu assistiria a um filme que mudou minha percepção sobre o cinema: Flordelis - Basta Uma Palavra Para Mudar, de Marco Antônio Ferraz e Anderson Correa.

    Agora, eu tenho certeza: tudo é possível. Yes, we can! Se um equívoco tão incomensurável quanto Flordelis - Basta Uma Palavra Para Mudar conseguiu seu espaço no mercado, conseguiu arrumar uma distribuidora e logrou chegar às telas dos nossos cinemas, isto é um sinal de otimismo para tantas e tantas produções brasileiras que esperam sua vez na cruel fila de filmes a serem exibidos. Jamais havia visto um filme tão errado. Da proposta à execução. Da trilha sonora à direção de arte. Do roteiro à direção. Da montagem a... Sei lá mais o que possam inventar.

    O documentário pretende registrar a trajetória de Flordelis, uma jovem professora pública criada na Favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, que, ao perceber a ineficiência do poder oficial em relação às questões sociais, resolve arregaçar as mangas e - por conta própria - contribuir com a sua parcela. Tentar fazer a diferença. Sem o apoio de nenhum órgão governamental, ela passa a acolher jovens e crianças em sua própria casa, procura dar-lhes algum tipo de orientação, desviá-las dos caminhos do tráfico, enfim, acender alguma luz no fim do escuro túnel da marginalidade. Ou seja, um tema que poderia render um bom filme.

    Não rendeu. O roteiro fez a incrivelmente infeliz opção de substituir as pessoas verdadeiras ajudadas por Flordelis por atores e atrizes famosos. Mas manteve a estrutura de depoimentos reais. Ou seja, os atores - muitos globais - decoram a interpretam as falas das pessoas verdadeiras (que não aparecem), posando como se estivessem num documentário. É bizarro. Surge na tela a figura de, por exemplo, Reynaldo Gianecchini, e o crédito aparece, digamos, “José”. Surge Letícia Sabatella com o crédito “Fulana de Tal”. E assim por diante.

    E tem mais: os atores explodem na tela lindos, maravilhosos, maquiadíssimos, falando um português mais do que perfeito, com uma fotografia exuberante... Vestindo roupas humildes e emoldurados por um cenário que pretende sugerir que eles estão na favela.

    São depoimentos longuíssimos, quase sem cortes, enfadonhos, sem ritmo. E todos em preto-e-branco. A exceção é a própria Flordelis, a única depoente com direito a imagens coloridas, que recita um texto visivelmente forçado, artificial, provavelmente com a ajuda de um teleprompter (aquele aparelho usado pelos apresentadores de telejornais). Não há espaço para a improvisação, para o espontâneo, para o gaguejar natural de qualquer pessoa.

    Para piorar a situação (sim, é possível), em vários trechos os depoimentos são invadidos ou por um piano choroso estilo Richard Clayderman, ou por aquele tipo de trilha sonora que costumava emoldurar os programas policiais do Gil Gomes ou ainda por canções religiosas.

    Ou seja, um filme que não funciona sob nenhum ponto de vista. Sem credibilidade, não passa como documentário. Sem criatividade, não atrai como ficção.

    Fico pensando no meu amigo e colega Miguel Barbieri, crítico de cinema da Vejinha e encarregado de avaliar o filme com estrelas ou - no pior caso - com o desenho de uma bombinha explodindo. A partir de Flordelis - Basta Uma Palavra Para Mudar, a bombinha passa a ser pouco. Premiar Flordelis - Basta Uma Palavra Para Mudar com a bombinha seria uma afronta para todos os outros filmes que, até hoje, mereceram esta classificação. Talvez Miguel seja obrigado a inventar outra coisa, o desenho de dois aviões explodindo numa torre, talvez... Veremos.

    Alinne Moraes, Letícia Sabatella, Giselle Itiê, Fernanda Lima, Letícia Spiller, Marcello Antony, Reynaldo Gianecchini e vários outros não sabem a fria em que se meteram ao emprestarem seus nomes e suas respectivas credibilidades para Flordelis - Basta Uma Palavra Para Mudar. O filme; nada contra a figura humana de mesmo nome.

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