FLORES DO ORIENTE

FLORES DO ORIENTE

(Jin Lín Shí San Chai/ The Flowers of War)

2011 , 141 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/05/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Yimou Zhang

    Equipe técnica

    Roteiro: Heng Liu

    Produção: Weiping Zhang

    Fotografia: Xiaoding Zhao

    Trilha Sonora: Qigang Chen

    Estúdio: Beijing New Picture Film Co, EDKO Film, New Picture Company

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Atsurô Watabe, Bai Xue, Christian Bale, Hai-Bo Huang, Junichi Kajioka, Kefan Cao, Ni Ni, Paul Schneider, Shawn Dou, Shigeo Kobayashi, Takashi Yamanaka, Tianyuan Huang, Xinyi Zhang, Yuan Nie

  • Crítica

    21/05/2012 22h45

    O chamado Massacre de Nanquim, mesmo passados mais de 70 anos, ainda causa indisposições entre China e Japão. O episódio foi um crime de guerra cometido pelo Exército Imperial Japonês quando da invasão da então capital da República da China, em 1937. Historiadores estimam que cerca de 200 mil pessoas foram dizimadas pelos japoneses, que cometeram inúmeras atrocidades contra militares e civis indiscriminadamente, incluindo o estupro coletivo de milhares de mulheres. Para os chineses, o número de vítimas foi bem maior. Os japoneses adotam um política revisionista dos fatos e negam o massacre. O episódio é o pano de fundo de Flores do Oriente, novo longa do cineasta chinês Zhang Yimou (O Clã das Adagas Voadoras), roteirizado por Liu Heng e baseado no romance As 13 Mulheres de Nanquim, de Yan Geling.

    Uma pena que o renomado cineasta chinês tenha feito uma obra tão unidimensional, cujo retrato apresentado enfraquece qualquer contribuição para e elucidação de detalhes do episódio. Zhang, com o capricho estético que lhe é peculiar, conta a história do grupo de jovens estudantes de um convento que se refugia numa igreja na esperança de escapar dos soldados japoneses. Estes, parecem saídos de algum desenho animado sobre monstros malvados e cruéis que não possuem nenhum outro propósito a não ser a pilhagem e o estupro.

    Esta artificialidade desmonta a estrutura dramática de Flores do Oriente por vezes. Num filme no qual tudo contribui para uma ambientação impecável, com direção de arte e fotografia primorosas, os algozes são retratados de forma tão amadorística e óbvia que a espinha dorsal de sua narrativa perde a força de sustentação. Essa falta de sutileza se estende ao personagem de Christian Bale, um agente funerário beberrão e egocêntrico que só se preocupa com ele mesmo. A redenção, como esperado, vem logo, vem rápida demais, e de um egoísta sem escrúpulos o agora “padre John” se transforma num altruísta defensor das estudantes.

    O conflito da trama muda momentaneamente com a chegada de um grupo de prostitutas à igreja, elas também em busca de refúgio. As coloridas e sexys garotas entram em confronto com as pudicas jovens do convento enquanto John, ainda imbuído de seu caráter canalha, começa a flertar sem sucesso com a mais bela delas. Ela, no entanto, condiciona seus favores sexuais a uma possível ajuda dele num plano para fugir da cidade ocupada.

    A animosidade entre as alunas e prostitutas, tendo John e um jovem rapaz chinês como mediadores, dá um alívio ao filme e a oportunidade de explorar o conflito sem que se continue a empregar os soldados japoneses e seu espetáculo de brutalidade desmedido. Mas é questão de tempo para que a violência exploda na tela novamente. Uma violência necessária até certo ponto, para criar o horror fragrante da guerra, mas manipuladora na atuação de seus agentes.

    Aclamado como o mais caro filme chinês de todos os tempos, dirigido por um de seus cineastas mais bem-sucedidos e respeitados, e estrelado por um dos maiores atores de Hollywood na atualidade, Flores do Oriente peca somente na construção de seus personagens. O grupo de prostitutas adota uma identidade única, assim como as meninas do convento. O personagem de Bale surge como uma peça singular em meio a elas, mas mesmo todo o talento do ator parece esbarrar na mudança abrupta de caráter de John.

    Mesmo com as mencionadas deficiências e o modo desajeitado com o qual o tema redenção é tratado no filme, Flores do Oriente é uma produção belíssima e pungente. Zhang prova-se um esteta meticuloso e um diretor habilidoso na condução de cenas de ação, estejam seus personagens empunhando espadas ou fuzis. O diretor sempre equilibrou bem em seus filmes anteriores a beleza das imagens, as cenas de luta e a força emocional de seus personagens. Flores do Oriente, infelizmente, é claudicante neste último quesito. Um filme no limiar de se tornar uma obra essencial se não fosse por seu roteiro aquém de sua plástica incontestável.


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