FLUIDOS

FLUIDOS

(Fluidos)

2010 , 70 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/08/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alexandre Carvalho

    Equipe técnica

    Roteiro: Alexandre Carvalho, Rodrigo Ribeiro

    Produção: Alexandre Carvalho

    Estúdio: ASC Audiovisual

    Distribuidora: Polifilmes

    Elenco

    Amanda Banffy, Gus Stevaux, Laerte Késsimos, Silvia Pessegueiro, Tânia Granussi e Tatiana Eivazian

  • Crítica

    01/09/2010 18h49

    São Paulo. Rua Augusta e imediações. Três relacionamentos complicados. Um casal só consegue se excitar em locais públicos e diante da câmera do celular. Uma mulher que só vê o marido pela internet nutre uma afeição pela sua professora transexual. E uma produtora de um reality show usa um jovem para que seu show seja cada vez menos reality.

    Nas três situações, um ponto em comum: a tecnologia distanciando os relacionamentos humanos, criando realidades tristemente virtuais. São seis corações solitários que vagam pela noite paulistana em três histórias que não se cruzam. Quando muito, se esbarram. Tangenciam-se.

    Com direção do jovem (20 anos) Alexandre Carvalho, Fluidos é uma bem-vinda experiência radical: o filme foi gravado ao vivo. Ou seja, o desenvolvimento das três histórias era transmitido via antena para uma ilha de edição em tempo real, que simultaneamente jogava as imagens para serem exibidas na tela grande. Com o público vendo, no conforto do cinema, as encenações dos atores que estavam a poucos metros dali, nas ruas. Para o elenco, era como se fosse teatro. Para a equipe, era como se fosse televisão. Para o espectador, era como se fosse cinema. O resultado final foi batizado de “Cinema Vivo”. Nada a ver com a operadora de telefonia.

    É evidente que boa parte do inusitado da empreitada se perde agora, com o filme, já editado, sendo exibido igual a qualquer outro. O que já foi feito, não pode mais ser ao vivo. Mas mesmo assim o bom roteiro, a agilidade de suas três histórias, e os seis fascinantes protagonistas são suficientes para manter o interesse por Fluidos, mesmo despido de sua inovação técnico-linguística.

    Os três pares de personagens formam um ácido painel crítico às doenças tecnológicas criadas pelos novos suportes digitais, ao mesmo tempo em que sublinham a solidão e a incomunicabilidade dos relacionamentos (ou da falta deles) urbanos contemporâneos. Com ironia, sagacidade e até bom humor. Em função de seu processo produtivo experimental, perdoam-se até algumas incorreções técnicas aqui e ali, mas o elenco convincente (com destaque para Tatiana Eivazian, no papel da produtora do reality show) segura bem a atenção do público.

    Fluidos é um bom exemplo de que é possível inovar na forma sem descuidar do conteúdo. E que uma história bem contada (ou, no caso, três) sempre será bem-vinda na tela grande. Seja ao vivo, gravada, via satélite, cabo, rádio, celular, jegue...

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