FOI APENAS UM SONHO

FOI APENAS UM SONHO

(Revolutionary Road)

2008 , 119 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/01/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sam Mendes

    Equipe técnica

    Roteiro: Justin Haythe

    Produção: Bobby Cohen, John Hart, Sam Mendes, Scott Rudin

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Thomas Newman

    Estúdio: BBC Films

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Dylan Clark Marshall, Kate Winslet, Kathryn Hahn, Kathy Bates, Kristen Connolly, Leonardo DiCaprio, Michael Shannon, Ryan Simpkins, Zoe Kazan

  • Crítica

    30/01/2009 00h00

    Como sair de uma prisão invisível sem ferir quem está ao seu lado? Como admitir que o que resta é um passado de lembranças? Pior: como aceitar que esse mesmo passado foi inventado e imaginado, mas nunca vivido de fato? O que fazer quando a única perspectiva é agarrar-se a um sonho vago? Questões como estas, de complicadas resoluções para um casal, acompanham os 119 minutos de Foi Apenas um Sonho. Quem vive ou já viveu uma relação em crise vai captar a atmosfera do filme.

    Quando se trata da dupla Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, é impossível fugir da referência a Titanic. Para ser justo, cabe diferenciar o filme de Sam Mendes e o de James Cameron. Na produção de onze anos atrás, Jack e Rose arrancaram muitas lágrimas dos espectadores e, mesmo que o filme tenha um final triste, sai-se com uma sensação agradável de ter assistido ao despertar de um amor. Frank e April causam o oposto: em um passado que o espectador só conhece em partes, viveram um amor do qual não resta nem cinzas. Foi Apenas um Sonho é menos dramalhão e mais drama.

    Mendes não se dedica a edificar um casal, mas a mostrar o quão doentio eles podem ser quando o amor já não é uma certeza. Na década de 50, os Weelers vivem em uma charmosa casa em um subúrbio dos EUA com seus dois filhos. Ela é uma quase atriz que protagoniza uma peça de teatro de segunda mão. Ele tem um trabalho burocrático que serve para manter a família.

    Quando o fim da relação bate à porta da família constantemente, ambos resolvem negá-lo. Mentem para si próprios, driblam as próprias idéias, miram o futuro e desconsideram o presente. Quando a cegueira predomina, é necessário que alguém venha de fora para relembrá-los da verdade que eles negam fervorosamente: a solução é terminar.

    Não tanto pela força de sua interpretação, mas pelo poder do próprio personagem, que Michael Shannon recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. John Givins é justamente essa terceira pessoa que não deixa a verdade fugir para debaixo do tapete. É ele que, com dolorosa sinceridade, expõe o vazio para Frank, April e para os espectadores.

    Adaptação de livro homônimo publicado por Richard Yates em 1961, Foi Apenas um Sonho muda o ponto de vista do qual a história é contada: no livro, Frank domina a atenção do leitor, mas no filme é April quem dá as cartas. Naquele subúrbio pré-revolução sexual e feminina, o casal tem sua história contada.

    É evidente o conforto de Winslet e DiCaprio à frente das câmeras. Consciente dessa força, o diretor, marido de Winslet, explora as cenas em que seus personagens discutem fervorosamente. As verdades que April joga na cara de Frank, e as ofensas que ele devolve a ela, nos lembram o quão dolorido é um casal que não se ama mais.

    Em Titanic, a dupla de atores protagoniza um fim triste, mas que, no conjunto da obra, nos dá vontade de cantar My Heart Will Go On. Em Foi Apenas um Sonho, DiCaprio e Winslet estão em um filme triste do qual não há escapatória. Méritos para a obra original de Yates, ao roteiro adaptado de Justin Haythe e a direção exitosa de Sam Mendes. Claro, sem esquecer a naturalidade da interpretação do casal.

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