FOMOS HERÓIS

FOMOS HERÓIS

(We Were Soldiers)

2002 , 138 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Randall Wallace

    Equipe técnica

    Roteiro: Randall Wallace

    Produção: Bruce Davey, Randall Wallace, Stephen McEveety

    Fotografia: Dean Semler

    Trilha Sonora: Nick Glennie-Smith

    Estúdio: Icon Entertainment International

    Elenco

    Barry Pepper, Chris Klein, Dan Beene, Edwin Morrow, Greg Kinnear, Josh Daugherty, Jsu Garcia, Keri Russell, Luke Benward, Madeleine Stowe, Mark McCracken, Mel Gibson, Mike White, Robert Bagnell, Sam Elliott, Tim Abell, Vincent Angell

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Pergunta: por que fazer outro filme sobre a Guerra do Vietnã? Resposta: porque parece que os Estados Unidos jamais aprendem a lição. Por mais que os artistas de uma forma geral e os cineastas em particular se desdobrem em mostrar para o mundo as gigantescas proporções da bestialidade das guerras, a sensação que se tem é que a Casa Branca e o Pentágono estão sempre montados sobre barris de pólvora. Principalmente agora, na Era Bush, já que usamos o termo bestialidade.

    Fomos Heróis é um destes filmes que mostram - cruelmente - a inutilidade e o horror dos conflitos armados. A história é baseada em fato real. Em 14 de novembro de 1965, o Tenente Coronel Hal Moore (papel de Mel Gibson) e seus jovens soldados desembarcaram com seus helicópteros na Zona de Pouso Raio-X, no Vale de Ia Drang, uma região no conhecida como O Vale da Morte. A guerra do Vietnã ainda estava no início. Prepotentes e subvalorizando o inimigo, os americanos ainda nem sequer sonhavam com as dificuldades e a derrota que os esperavam.

    Toda a narrativa é centrada na figura do Tenente Coronel Hal Moore, que na vida real, ao lado do jornalista Joseph Galloway (papel de Barry Pepper, de À Espera de um Milagre), escreveu o livro que deu origem ao filme. Randall Wallace, roteirista de Coração Valente, se encarregou de roteirizar e dirigir esta superprodução de US$ 75 milhões. Como acontece em qualquer filme, certamente a verdade dos fatos está cinematograficamente maquiada para efeitos hollywoodianos. E principalmente em se tratando de um filme feito a partir de um livro escrito pelo próprio herói em questão, parece óbvio que a veracidade histórica do ocorrido pode e deve ser questionada. Não tem importância: nada isso tira a emoção de Fomos Heróis, um filme feito com a clara intenção de fazer chorar e de denunciar o grande vazio de toda e qualquer guerra.

    O roteiro é claramente dividido em duas partes bem distintas. E clássicas. A primeira tem por finalidade humanizar os personagens. É praticamente impossível não criar uma forte empatia com todos eles. As situações são as mais tradicionais possíveis. O soldado que acabou de ser pai, o medo do conflito, o sargento durão, a solidariedade das esposas. Criado o vínculo tela/platéia, parte-se para a segunda parte: a carnificina. Matando-se violentamente aqueles que aprendemos a amar na primeira parte do filme, as lágrimas são inevitáveis. A fórmula é conhecida, porém, eficiente. Louve-se o fato do filme abrir espaço também para o lado vietcongue, humanizando os inimigos, fato raro em se tratando de Hollywood.

    Por outro lado, mais importante do que tentar classificar o filme como piegas ou não, o fato é que Fomos Heróis é um tapa na cara de George W. Bush e de todos aqueles que pregam o belicismo como forma de vida. Ou de supremacia. Se as cenas de guerra são forçadamente estilizadas ou não, se as cenas chorosas são melodramáticas demais ou não, toda esta discussão fica em segundo plano. O filme é necessário neste momento. Afinal, todos os 58 mil nomes de soldados mortos que aparecem no memorial, em Washignton, aqueles sim, são todos reais. Tristemente reais.

    Mesmo porque não se poderia esperar de Mel Gibson (também produtor) um filme que não fosse antibélico. Vale lembrar que o ferroviário Hutton Gibson - pai de Mel - carregou toda a extensa família dos Estados Unidos para a Austrália, justamente para evitar que alguns de seus onze filhos fossem convocados para o Vietnã. Sábia decisão. Não fosse por isso, talvez hoje a família Gibson estivesse marcada no triste painel dos 58 mil nomes.

    07 de agosto de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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