FORA DO FIGURINO - AS MEDIDAS DO JEITINHO BRASILEIRO

FORA DO FIGURINO - AS MEDIDAS DO JEITINHO BRASILEIRO

(Fora do Figurino - As Medidas do Jeitinho Brasileiro)

2011 , 73 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 22/03/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Pélico

    Equipe técnica

    Distribuidora: Raiz Distribuidora

  • Crítica

    18/03/2013 18h40

    A venda de roupas pela internet é realidade em outros países, mas dificilmente se tornará hábito no Brasil. Provador aqui não é opção, é necessidade. Pouca gente sabe, mas a habitual dificuldade que temos em escolher roupas que se adaptem a nosso corpo acorre porque o Brasil nunca fez um censo antropométrico de sua população. Sem ele, a indústria nacional de confecção trabalha há décadas com padrões estrangeiros diversos. São centenas deles, o que faz os tamanhos variarem de fabricante para fabricante: o G da marca X é o M da marca Y. O P da grife Z vira M na loja ao lado.

    Fora de Figurino – As Medidas do Jeitinho Brasileiro trata do tema e revela um Brasil sem caimento. O documentário tem início com uma série de entrevistas com anônimos e artistas de diversas partes país que revela as desventuras destes na hora de se vestir. Entre os famosos, traz depoimentos de Beatriz Segall, Regina Duarte, Margareth Menezes, Adriane Galisteu e Odilon Wagner. Há também a participação de políticos e profissionais do setor de moda e vestuário.

    O censo antropométrico é um estudo para levantar o perfil anatômico de um povo, incluindo particularidades de cada região. Essas informações são utilíssimas para nortear não só o setor de vestuário, mas também o de calçados, mobília, veículos e construção civil. Fora de Figurino revela a primeira tentativa de realizar o censo no país, no início dos anos 2000, iniciativa frustrada por desentendimentos entre profissionais do setor. Hoje o projeto encontra-se engavetado num gabinete ministerial em Brasília sem verba para seguir adiante.

    A falta de um estudo do perfil físico do brasileiro não atenta somente contra a elegância e conforto da população, mas pesa também no bolso como mostra o filme. 20cm de tecido são desperdiçados em média a cada calça fabricada no país. Essa “sobra” vai para o lixo depois que costureiras fazem os acertos para que a peça assente no comprador. O preço desse desperdício, claro, é o cliente que paga.

    Fugindo do assunto moda, o longa revela problemas também em outras áreas, como a fabricação de equipamentos de proteção para trabalhadores da construção civil e preservativos sexuais. Depoimentos de operários e travestis revelam o descontentamento com a inadequação corriqueira a esses produtos.

    Fora de Figurino se favorece apenas da curiosidade em torno do tema. Econômico ao extremo em recursos narrativos, intercala quase que ininterruptamente uma sucessão de depoimentos do início ao fim. O diretor praticamente não abre respiros para a reflexão e faz uso tímido da trilha sonora. No quarto final do filme, tenta forçar um clima de descontração - inexistente até então – mostrando populares dançando nas ruas. Cenas que caem mal ao filme como as roupas que vestem os brasileiros.


Deixe seu comentário
comments powered by Disqus