FORAS-DA-LEI (2010)

FORAS-DA-LEI (2010)

(Hors La Loi)

2010 , 138 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/01/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rachid Bouchareb

    Equipe técnica

    Roteiro: Rachid Bouchareb

    Produção: Jean Bréhat

    Fotografia: Christophe Beaucarne

    Trilha Sonora: Armand Amar

    Estúdio: Tessalit Productions

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Assaad Bouab, Bernard Blancan, Chafia Boudraa, Jamel Debbouze, Roschdy Zem, Sabrina Seyvecou, Sami Bouajila, Samir Guesmi, Thibault de Montalembert

  • Crítica

    28/12/2010 14h47

    No cinema de Rachid Bouchareb, os dramas dos personagens estão inseridos em questões políticas que os circudam, pessoas cujas pequenas decisões diárias dependem de algo maior. A política está no dia a dia, mesmo para aqueles que se negam a enxergá-la. Não há escapatória, a não ser responder a um momento histórico.

    Foras-da-Lei, que despertou reações histéricas da direita francesa ao integrar a competição do Festival de Cannes, abarca um período de quase quatro décadas na vida de três irmãos argelinos. Abdelkader (Sami Bouajila), a mente revolucionária; Messaoud (Roschdy Zem), o cão de guarda; Saïd (Jamel Debbouze), o caçula que ganha a vida como cafetão. Na tela, acompanhamos da expulsão da família na Argélia até a independência do país, em 1962.

    Os acontecimentos políticos afetam os irmãos de maneira diferente. Abdelkader está decidido a lutar pela independência e busca adeptos nas periferias de Paris. Messaoud não tem inteligência intelectual, deixando o instinto guiar suas decisões. Saïd só quer sobreviver e largar a condição de imigrante discriminado. O grande mérito dos filmes de Bouchareb é narrar e não permitir a seus personagens escapar da tomada de decisão, pois o Dia D de cada um vai sempre bater à porta e eles terão de fazer algo, qualquer que seja a esfera.

    Quando isso é trabalhado de maneira eficiente, dá um ótimo resultado: mítico, como Dias de Glória, que particulariza a história de quatro soldados argelinos que lutaram pela França na Segunda Guerra Mundial, ou poético, como em London River – Destinos Cruzados, no qual uma mulher inglesa, de meia-idade, moradora do interior, é obrigada, por força do destino, a conviver com um imigrante africano.

    Porém, quando a poesia fica em segundo plano, perdendo espaço para a formação de heróis, o resultado é um razoável meio-termo entre épico político e drama poético. Foras-da-Lei presta-se a construir heróis de uma virada histórica e vai pouco além disso.

    A primeira sequência dá o tom do filme: numa terra isolada, uma família pobre assiste assustada à chegada de um senhor que representa o poder. Ele vem para dizer que a terra pertence a outra pessoa e eles têm de sair. No fim da cena, o pai vira para os filhos e diz algo como “um dia vocês retornarão a essa terra”.

    Sentimentalismos de um filme que primeiro apresenta seus personagens como futuros heróis, depois como seres humanos com dilemas e dúvidas. Por isso Foras-da-Lei é inferior não só aos dois filmes anteriores de Rachid Bouchareb, mas também a outros dramas históricos, como Carlos.

    De qualquer forma, trata-se de um episódio histórico bem contado que usa os recursos narrativos disponíveis para despertar o sentimentalismo do espectador. Uma opção arriscada, já que, ao mesmo tempo que tenta puxar a empatia de quem assiste, aprisiona os personagens dentro do selo “heróis”.

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