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FOXFIRE - CONFISSÕES DE UMA GANGUE DE GAROTAS

(Foxfire: Confessions of a Girl Gang, 2012)

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15/09/2013 13h19
por Roberto Guerra

Envolvente desde os primeiros minutos, este drama de época dirigido pelo francês Laurent Cantet (Palma de Ouro por Entre os Muros da Escola) se destaca em variados aspectos: do trabalho de reconstituição de época impecável, passando pelo ótimo texto, até as atuações naturais e contundentes de seu jovem elenco.

Adaptação do romance de Joyce Carol Oates, Foxfire conta a história de garotas que fundam uma sociedade secreta (que dá nome ao filme) com base em ideias em voga nos anos 50 nos Estados Unidos. Sem objetivos a longo prazo, suas ações intencionam tão somente punir de alguma forma abusos recorrentes cometidos pelos rapazes da escola e endossados por professores machistas.

As ativistas do Foxfire não chegam a ser feministas, no sentido de um grupo organizado para defender os direitos das mulheres. São apenas jovens um tanto inocentes, tentando se livrar da prepotência masculina que grassava na época. Também flertam, mesmo que sem consciência disso, com ideais socialistas de igualdade e liberdade.

Lideradas pela inconsequente Legs (Raven Adamson, ótima), o grupo entra numa espiral inebriante de cumplicidade pautada por ações cada vez mais ousadas. Chegam mesmo a romper com a vida familiar ao se mudarem para uma casa abandonada onde passam a conviver sobrevivendo da "expropriação" do inimigo, no caso os homens.

Não demora e os conflitos começam a surgir e gerar cisões. Os motivos são os mais variados, como o interesse de uma delas por um rapaz ou a discordâncias sobre os limites plausíveis de sua ações, como quando Legs toma a irresponsável decisão de sequestrar e torturar um homem.

Foxfire apresenta ao espectador uma revolução em microcosmo. A empolgação inicial, a sensação de liberdade crescente, as desavenças nas relações de poder dentro do grupo, o autoritarismo galvanizado por ideais e, por fim, rompimentos e desacordos sobre os limites a serem obedecidos - para uns claros, para outros nem tanto.

Com roteiro poderoso e personagens realistas e de várias camadas, é de se estranhar o fato de não se explorar abertamente o lesbianismo entre algumas das personagens, deixando-o nas entrelinhas. A decisão de Cantet destoa da forma direta e objetiva com que trata dos muitos temas de ressonância da trama. Nada, no entanto, que prejudique o filme. 

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