Poster do filme Frida

FRIDA

(Frida)

2002 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Julie Taymor

    Equipe técnica

    Roteiro: Anna Thomas, Clancy Sigal, Diane Lake, Gregory Nava

    Produção: Jay Polstein, Lindsay Flickinger, Lizz Spee, Nancy Hardin, Roberto Sneider, Salma Hayek, Sarah Green

    Fotografia: Rodrigo Prieto

    Trilha Sonora: Elliot Goldenthal

    Estúdio: Handprint Entertainment, Miramax Films, Trimark Pictures, Ventanarosa Productions

    Elenco

    Aida López, Alejandro Usigli, Alfred Molina, Amelia Zapata, Anthony Alvarez, Antonio Banderas, Ashley Judd, Chavela Vargas, Didi Conn, Diego Espinosa, Diego Luna, Edward Norton, Ehécatl Chávez, Elliot Goldenthal, Enoc Leaño, Fermín Martínez, Geoffrey Rush, Ivana Sejenovich, Jorge Guerrero, Jorge Zepeda, Julian Sedgwick, Karine Plantadit-Bageot, Lila Downs, Loló Navarro, Lucia Bravo, Margarita Sanz, Maria Ines Pintado, Martha Claudia Moreno, Mary Luz Palacio, Mía Maestro, Omar Chagall, Patricia Reyes Spíndola, Roberto Medina, Roger Rees, Saffron Burrows, Salma Hayek, Valeria Golino, William Raymond

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Falou-se muito que Gangues de Nova York teria sido o grande injustiçado do Oscar 2003. Talvez seja verdade. Mas vale a pena prestar uma atenção muito especial também em Frida, senão o maior, um dos maiores injustiçados da premiação deste ano, ao lado de Estrada para Perdição e o próprio Gangues. O filme é arrebatadoramente latino, visceral, inquieto. Coerente com a personalidade da artista plástica mexicana Frida Kahlo, cuja vida perpetua no celulóide.

    Apesar de co-produzido entre norte-americanos e canadenses, Frida tem a dose correta de latinidade necessária para contar a história da pintora. Os roteiristas optaram por uma fórmula linear, mas nem por isso menos eficiente em força narrativa. A primeira cena mostra Frida Kahlo (Salma Hayek, ótima), atada à sua própria cama, sendo carregada por um caminhão de mudanças. Uma imagem de força e resistência que será devidamente explicada no longo flash back de duas horas que se segue. Um corte de tempo transporta a ação para a meninice da pintora, suas molecagens e, principalmente, sua admiração pelo famoso artista plástico Diego Rivera (Alfred Molina, de Chocolate). Hiperativa, vivaz, entusiasmada pelos assuntos da política e do sexo, a garota quase vê tudo se acabar por causa da imprudência de um motorista de ônibus. Tem início uma bela história de teimosia, de amor à vida, de inquietação criativa e principalmente de inconformismo.

    Além da ótima interpretação de Salma, que vive convincentemente a personagem em suas mais diferentes idades e com um mínimo de maquiagem, o filme encanta pela agilidade da narrativa, pela coloridíssima direção de arte, e pela latinamente exagerada trilha sonora. Engessada por um apertado (para os padrões americanos) orçamento de US$ 12 milhões, a diretora Julie Taymor traz soluções criativas e estilizadas para simular cenograficamente viagens a Paris e a Nova York que a verba de produção não permitiu filmar. Esse é apenas o segundo longa-metragem para cinema dirigido por Julie. Há quatro anos, ela escreveu, produziu e dirigiu a ambiciosa ficção científica ítalo-americana Titus, um fracasso que nem chegou a estrear nas telas brasileiras. Com Frida, ela tem uma boa chance para se reabilitar.

    O filme ganhou um bem-vindo Oscar de Trilha Sonora, e um injustificado de maquiagem. Merecia também o de Melhor Atriz para a mexicana Salma Hayek. Ela encarnou o papel de uma forma tão intensa que chegou a pintar alguns dos quadros vistos no filme, e deixou suas próprias sobrancelhas crescerem para facilitar o trabalho de maquiagem. Porém, falar de Oscar e injustiças é chover no molhado. E põe molhado nisso.


    31 de março de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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