GAIJIN - AMA-ME COMO SOU

GAIJIN - AMA-ME COMO SOU

(Gaijin - Ama-me Como Sou)

2005 , 130 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tizuka Yamasaki

    Equipe técnica

    Roteiro: Tizuka Yamasaki

    Produção: Carlos Alberto Diniz, Tizuka Yamasaki

    Fotografia: Edgar Moura

    Trilha Sonora: Egberto Gismonti

    Estúdio: Quanta

    Elenco

    Aya Ono, Carlos Takeshi, Dado Dolabella, Eda Nagayama, Eijiro Ozaki, Jorge Perugorría, Keniti Kaneko, Kissei Kumamoto, Kyoko Tsukamoto, Lissa Diniz, Louise Cardoso, Luís Melo, Mariana Ximenes, Nobu Mc Carthy, Ryogo Suguimoto, Tamlyn Tomita, Zezé Polessa

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Com o primeiro longa-metragem, Gaijin, Os Caminhos da Liberdade (1978), Tizuka Yamazaki teve sucesso imediato no mercado cinematográfico brasileiro. Depois de dirigir algumas produções menores e filmes infantis (como Lua de Cristal, Xuxa Requebra, O Noviço Rebelde e Xuxa Popstar), ela resolveu retomar a uma história de imigrantes japoneses em Gaijin - Ama-me Como Sou, que estréia nos cinemas depois de ganhar quatro prêmios no Festival de Gramado.

    O Brasil tem a maior colônia japonesa e esse é o principal público-alvo desta produção, que conta uma história de força feminina misturada aos preceitos da rígida educação japonesa. Tudo começa em 1908, quando Titoe (Kyoko Tsukamoto) viaja do Japão para o Brasil com uma promessa: enriquecer e voltar em cinco anos. Iludida pelo Império japonês, que incentivava a imigração a países desconhecidos, Titoe encontra no País uma realidade de poucas esperanças. Ao lado de conterrâneos e alemães, é uma das primeiras habitantes da cidade paranaense de Londrina. Seu espírito empreendedor marca a vida e o destino de suas descendentes: Shinobu (Nobu McCarthy), Maria (Tamlyn Tomita) e Yoko (Lissa Diniz).

    A tragédia permeia a história dessas mulheres, que tiveram de criar sozinhas seus filhos. Ao mesmo tempo em que conta a história da família, Tizuka (que também escreveu o roteiro) pontua tudo com fatos históricos. Como quando o marido de Shinobu é morto em um episódio que envolve um trágico capítulo da imigração japonesa, quando grupo de fanáticos intitulado de Shindô Remmei punia violentamente os imigrantes que acreditavam na perda do Japão na guerra. Assassinado pelo cunhado, Sensei (ou professor, em japonês) Yamashita (Kissei Kumamoto) deixa Shinobu com dois filhos, Maria (Tamlyn Tomita) e Kazumi (Kissei Kumamoto). Ele, que levou um tiro no episódio, fica paraplégico e torna-se escritor. É Kazumi que narra esta história. Maria é outra mulher que cresce e ajuda no sustento dessa família de mulheres batalhadoras.

    O problema acontece quando ela conhece Gabriel (Jorge Perugorria), filho de um rico fazendeiro espanhol (Luis Melo). Os dois se apaixonam, mas a mãe não aprova o casamento. Afinal, Gabriel é gaijin (expressão pejorativa usada por descendentes de japoneses para designar os que não são) e, por isso, indigno do amor de Maria. Mas ela, a terceira geração da família no Brasil, não pensa da mesma forma e casa com Gabriel. Este está prestes a fechar um grande negócio quando o confisco do governo Collor os deixa na miséria. Shinobu decide ajudar a família da filha, fazendo o caminho contrário e segue para o Japão a fim de trabalhar como dekassegui (nome dado aos trabalhadores brasileiros que estão no Japão). Sem alternativa de sobrevivência, Gabriel vai atrás. Mas, em 1995, quando a cidade de Kobe é devastada por um terremoto, Gabriel é dado como desaparecido. Inconformada com a notícia, sua filha Yoko (Lissa Diniz) convence a mãe Maria a irem procurá-lo.

    Gaijin - Ama-me Como Sou é extremamente irregular. Começa grandioso, belo, permeado por ótimas atuações (especialmente da atriz japonesa Kyoko Tsukamoto). Mas exatamente na segunda metade o filme despenca. A escolha de atores internacionais, visando o mercado exterior, acabou sendo um grande problema, uma vez que o filme precisou de dublagem. Mal feita, estraga a atuação do cubano Jorge Perugorria e da norte-americana Tamlyn Tomita. Escolher atores japoneses é justificável, uma vez que a maioria dos personagens japoneses não fala português, mas não dá para entender a escolha de Perugorria no papel de Gabriel, já que ele fala espanhol. Decisões mercadológicas têm limites. A segunda parte, mais simples de ser feita por se passar numa Londrina e Japão mais atuais, acaba baixando o nível do longa por causa dessa dublagem. Outro defeito do filme é a trilha sonora chata e redundante. A música tema, cantada em espanhol (não poderia ser em japonês, pelo menos?), destoa de todo o clima do filme.

    Mesmo assim, o saldo de Gaijin - Ama-me Como Sou termina positivo por mostrar com tanta sinceridade esse drama vivido por descendentes de japoneses. Sua cultura e a forma de pensar é retratada com fidelidade. A direção de arte é muito caprichada e o roteiro mescla muito bem os acontecimentos na família aos fatos marcantes na história dos imigrantes japoneses no Brasil. Mais do que ganhar o mercado internacional, como ela queria com a escalação deste elenco, Gaijin - Ama-me Como Sou deve ter como alvo também a vasta colônia japonesa no Brasil.

    Em tempo: Para os interessados nas historias dos imigrantes japoneses durante a Segunda Guerra, incluindo a Shindo Remmei, essa passagem é investigada no livro Corações Sujos, de Fernando Morais

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