GANGUES DE NOVA YORK

GANGUES DE NOVA YORK

(Gangs of New York)

2001 , 167 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Martin Scorsese

    Equipe técnica

    Roteiro: Jay Cocks, Kenneth Lonergan, Martin Scorsese, Steven Zaillian

    Produção: Alberto Grimaldi, Harvey Weinstein

    Fotografia: Michael Ballhaus

    Trilha Sonora: Howard Shore

    Estúdio: Alberto Grimaldi Productions, Initial Entertainment Group (IEG), Miramax Films

    Elenco

    Alec McMahon, Alec McCowen, Alex Howden, Alexander Deng, Alexia Murray, Andrew Gallagher, Angela Pleasence, Barbara Bouchet, Basil Chung, Bill Barclay, Bill Murdoch, BobColletti, Brendan Dempsey, Brendan Gleeson, Brendan White, Brian Mallon, Bronco McLoughlin, Cameron Diaz, Cara Seymour, Carmen Hanlon, Channing C.Holmes, Christian Burgess, Cian McCormack, Colin Hill, Daniel Day-Lewis, David Bamber, David Hemmings, David McBlain, David Nicholls, Dick Holland, Dominique Vanderberg, Douglas Plasse, Eddie Marsan, Eliane Chappuis, Finbar Furey, Flaminia Fegarotti, Ford Kiernan, GaryLewis, GaryMcCormack, Gennaro Condemi, Gerry Robert Byrne, Giovanni Lombardo Radice, Henry Thomas, Iain Agnew, Iain McColl, IanPirie, Illaria D'Elia, James Ramsay, Jian Su, Jim Broadbent, Joel Strachan, John Anthony Murphy, John McGlynn, JohnC.Reilly, JohnSessions, Joseph P. Reidy, Justin Brennan, Katherine Wallach, Kathy Shao-Lin Lee, Kieran Hurley, Larry Kaplan, Laurie Ventry, Lawrence Gilliard Jr., Leo Burmester, Leonardo DiCaprio, Liam Carney, Liam Neeson, Louie Brownsell, Lucy Davenport, Man Cao, Marta Pilato, Maura O'Connell, Michael Byrne, Michael H.Billingsley, Michael Hausman, Nazzareno Natale, Nevan Finegan, Nick Bartlett, NickMiles, Patrick Gordon, Peter Berling, Peter-Hugo Daly, Philip Kirk, R.Bruce Steinheimer, Rab Affleck, Richard Graham, Richard Strange, Richard Syms, Robert Goodman, Robert Linge, Roberta Quaresima, Roger Ashton-Griffiths, Sai-Kit Yung, Sean Gilder, Sean McGinley, Stephen Graham, Steven Blake, Taddeo Harbutt, Terry O'Neill, TimFaraday, TimPigott-Smith, VincentPickering

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É irônico: Scorsese e Grimaldi em Cinecittá, em Roma, filmando uma história que nada tem de italiana: Gangues de Nova York, uma superprodução de encher os olhos, as emoções e os sentidos. Tudo no filme é grandioso. Desde a ambição do projeto até as magníficas locações (construídas nos lendários estúdios de Cinecittá), que reproduzem a Nova York do século 19. Esqueça a ponte do Brooklyn, o Empire State, o Central Park, os bons restaurantes e a sofisticação da chamada "capital do mundo". A Nova York de Scorsese - cuidadosamente pesquisada em registros históricos - é suja, enlameada, selvagem, e violentamente dividida por gangues rivais que fazem o PCC parecer um bando de moleques de rua. A lei é corrupta e a ordem, inexistente.

    O filme começa com um embate mortal entre os Nativistas e os Coelhos Mortos. Os primeiros, comandados por Bill "O Açougueiro" Cutting (Daniel Day-Lewis, voltando ao cinema após cinco anos de ausência), são racistas, pregam a América para os americanos e repudiam a chegada dos imigrantes. O segundo grupo, sob o comando do Pastor Vallon (Liam Neeson), é formado por irlandeses e defende o desembarque de imigrantes como parte da formação da mão-de-obra que construirá o país. As duas gangues brigam - com hora, lugar e regras determinadas - pelo controle de uma região chamada Cinco Pontas. O embate é sanguinário. Na batalha, o pequeno Amsterdam vê seu pai, Vallon, morrer pelas mãos de Cutting. E no melhor estilo dos antigos faroestes, jura vingança.

    Dezesseis anos depois, o garoto cresce, passa a ser interpretado por Leonardo DiCaprio e se infiltra na gangue de Cutting para, cuidadosamente, tentar cumprir sua promessa de vendetta. E é aí que tudo começa.

    Mais do que simplesmente centralizar seu foco sobre um caso de vingança pessoal, Gangues de Nova York é um rico painel sobre as origens da civilização norte-americana. Se é que a palavra "civilização" cabe na barbárie descrita pelo filme. Sem um poder central atuante e com o próprio país dividido pela Guerra Civil, a cidade obedece apenas a uma única lei: a do mais forte. A corrupção política é a regra do jogo, os mais fracos buscam guarida nos violentamente poderosos, e o abismo entre as classes sociais é gigantesco. É uma época onde o governo cobra uma pequena fortuna para que os jovens das classes mais abastadas não sejam convocados para a guerra. Não cabe, no roteiro, nem um pingo daqueles falsos ideais de glória, heroísmo e patriotismo que os norte-americanos adoram ressaltar sempre que contam a sua história nas telas do cinema.

    Provavelmente por isso o filme seja um fracasso nas bilheterias dos EUA, onde faturou pouco mais que a metade de seu custo de US$ 97 milhões. Os americanos odeiam o espelho da verdade. E o filme ainda se dá ao luxo de ridicularizar o governo Bush, numa cena onde um governante corrupto afirma que "o que decide as eleições não são os votos, mas sim a apuração". Oportuno e divertido.

    Depois que leu o livro "Gangs of New York", escrito por Herbert Ashbury, em 1928, Scorsese se entusiasmou para produzir o filme o mais rápido possível. Porém, o gigantesco fracasso de O Portal do Paraíso, de 1980, desanimou os produtores a investir em qualquer outro épico que contasse de forma pessimista uma parte da história dos Estados Unidos. Vinte anos depois, juntando recursos italianos, holandeses, ingleses, alemães e americanos, e sob a benção da Miramax, o cineasta pôde finalmente concluir o seu complicado projeto. Uma empreitada de fôlego comandada por dois produtores de alto calibre: Alberto Grimaldi - de vários filmes de Fellini, Pasolini e Sérgio Leone - e Harvey Weinstein, de Chocolate, O Piano, A Vida é Bela, Gênio Indomável, Pulp Fiction e vários outros.

    Mais do que nunca, italianos e judeus se uniram para construir e desconstruir a poderosa cidade de Nova York.

    5 de fevereiro de 2003
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus