GARAPA

GARAPA

(Garapa)

2008 , 110 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 29/05/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • José Padilha

    Equipe técnica

    Roteiro: Felipe Lacerda, José Padilha

    Produção: José Padilha, Marcos Prado

    Estúdio: Zazen Produções

  • Crítica

    03/06/2009 18h24

    Dentre as dezenas de escolhas que um documentarista tem de fazer ao se relacionar com seu tema, José Padilha escolheu a fotografia em preto-e-branco para mostrar três famílias do Ceará (duas do sertão, uma da periferia de Fortaleza) que escapam diariamente da fome com a “garapa”, que no Nordeste é a mistura de água e açúcar para tapear a falta de comida.

    Por isso, o documentário de Padilha se chama Garapa. Quando se tem uma realidade tão impactante que torna difícil a tradução em imagens, o preto-e-branco é um dos primeiros recursos à mão para dar conta da dureza de ver a fome não como conceito abstrato, mas algo à frente do espectador. E um dos efeitos é de chamar ainda mais a atenção em um mundo cinematográfico dominado pelas cores.

    Se um dos efeitos é berrar, visualmente, para o espectador, a falta de cores também indica um Brasil que parou no tempo. Uma das várias facetas do país que não deram certo. Aquela que o cearense Josué de Castro denunciava na década de 50 e, meio século depois, Padilha retoma para denunciar – o cineasta declarou em Berlim que considera que há solução para a fome dentro do sistema capitalista, cujo o excesso é um dos pilares.

    Árdua tarefa para o cineasta. Denunciar um assunto incômodo que todos conhecem. A ânsia, ou a “paúra” como diriam os nordestinos, de chamar a atenção para o assunto, apaixona Padilha. Ele tenta rebater essa paixão colocando-a na tela. Ou seja, mexe profundamente com emoções, esbarra na culpa e na incessante busca de influenciar o espectador.

    Porém, Garapa pula, ora para um lado, ora para outro. Usa a estética para mexer com o sentimento, mas não deixa de usar números para “embasar” o que está na tela, como se o retrato de uma mãe misturando açúcar e água para substituir o leite não fosse suficiente para dar a mensagem ao espectador. Ou seja, toma total partido no tema para depois tentar ser imparcial e objetivo.

    Ora denuncia, como um militante. Ora apenas mostra, como um observador de uma realidade externa. Se em Tropa de Elite aponta algumas razões para que existam tipos como Capitão Nascimento, Garapa é a extensão de uma longa cadeia que desemboca na fome. Padilha morde: o preto-e-branco emociona e o que há na tela causa até vergonha individual de comer; Padilha assopra: a fome é quase uma entidade abstrata, cujos culpados não estão no plano político, econômico ou coletivo.

    O resultado do documentário está mais para a catarse, o choque imobilizante, do que para o clamor de uma ação efetiva.

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