GAROTAS

GAROTAS

(Bande des Filles)

2015 , 112 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/04/2015

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Céline Sciamma

    Equipe técnica

    Roteiro: Céline Sciamma

    Produção: Bénédicte Couvreur

    Fotografia: Crystel Fournier

    Trilha Sonora: Jean-Baptiste de Laubier

    Estúdio: arte France Cinéma, Hold Up Films, Lilies Films

    Montador: Julien Lacheray

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Assa Sylla, Binta Diop, Chance N'Guessan, Cyril Mendy, Damien Chapelle, Dielika Coulibaly, Djibril Gueye, Elyes Sabyani, Halem El Sabagh, Idrissa Diabaté, Karidja Touré, Lindsay Karamoh, Mariétou Touré, Nina Melo, Rabah Nait Oufella, Simina Soumaré

  • Crítica

    28/04/2015 17h01

    Por Daniel Reininger

    Céline Sciamma dirigiu apenas dois longas, Lírios D'água e Tomboy, e ambos se aprofundam no universo infanto-juvenil. Seu novo trabalho, Garotas, sobre um grupo de adolescentes dos subúrbios de Paris é cativante e oferece visão muitas vezes pungente e inquietante de como a identidade feminina é oprimida e controlada por um ambiente machista e repressor.

    Marieme (Karidja Toure) vive com sua ausente mãe e irmãos em um apertado apartamento, onde é rotineiramente espancada por seu irmão mais velho e dominador. Seu pai nunca é sequer mencionado. Inserida em um ambiente ameaçador, a garota é colocada contra a parede quando recebe um ultimato da escola, após repetir novamente de ano. Sua única reação é se defender: "não é culpa minha".

    Desolada, sua vida começa a mudar quando conhece Lady (Assa Syla), Fily (Mariétou Touré) e Adiatou (Lindsay Karamoh), gangue de garotas de seu bairro. Aos poucos, se distancia da família e mergulha em um mundo assustador, mas também libertador, e é no grupo que aprende lições valiosas para vida, como companheirismo e amor.

    Artisticamente filmado por Sciamma com cores frias e diversos tons de azul, Garotas tem sua maior virtude na direção de atores. Diversos membros do elenco não são profissionais e convencem em seus papeis dramáticos. Uma cena em especial é marcante pela espontaneidade das personagens, quando as quatro amigas dançam em um quarto de hotel e se sentem livres para falar e agir como quiserem. Na rua, no entanto, adotam pose mais dura e acabam por enfrentar outras gangues de garotas, além de desafiar atitudes machistas dos homens com quem convivem. Gradualmente, Marieme vai se transformando e aprende até mesmo a sorrir.

    A trilha sonora moderna e eletrônica funciona de forma orgânica com a trama, reforçando momentos importantes de transição na vida dessas meninas. O longa não quer só mostrar o dia a dia dessas garotas, como faz Boyhood: Da Infância À Juventude, também quer discutir como sexismo impede essas meninas de reivindicar seu espaço na sociedade. A crítica social e política se dá sem julgamentos e sem vitimizar suas personagens complexas e realistas.

    A forma como Marieme assume personalidades diferentes enquanto tenta encontrar seu lugar reforça essa crítica. As mudanças são também físicas, como mudança de cabelo, atitude e aparência. Além disso, a garota faz diversas escolhas que, embora façam sentido, parecerem destinadas a terminar em tragédia. Daí vem o maior problema do filme. Apesar de lento, a produção compensa ao construir personagens interessantes, com os quais nos importamos profundamente, entretanto, a forma brusca como essa jornada termina frustra o espectador e não causa o impacto intencionado pela diretora.

    Fato é: Celine Sciamma sabe tocar em assuntos complexos de maneira sensível, sem apelar para o melodrama. De forma madura, transmite de maneira clara sua mensagem: É preciso arriscar e, muitas vezes, errar para seguir adiante. É isso que faz da jornada dessas garotas algo inspirador.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus