Getúlio

GETÚLIO

(Getúlio)

2014 , 100 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • João Jardim

    Equipe técnica

    Roteiro: George Moura, João Jardim

    Produção: Carla Camurati

    Fotografia: Walter Carvalho

    Trilha Sonora: Federico Jusid

    Estúdio: Copacabana Filmes, Midas Filmes

    Montador: Pedro Bronz

    Distribuidora: Copacabana Filmes

    Elenco

    Ac Costa, Adriano Garib, Alexandre Borges, Alvaro Diniz, Caco Baresi, Clarisse Abujamra, Cláudio Tovar, Daniel Dantas, Drica Moraes, Fernando Luís, Gillray Coutinho, José Raposo, Juan Martyn, Leonardo Medeiros, Luciano Chirolli, Marcelo Médici, Murilo Elbas, Murilo Grossi, Paulo Giardini, Paulo Japyassu, Sílvio Matos, Thiago Justino, Tony Ramos

  • Crítica

    29/04/2014 17h30

    Não é fácil conceber uma obra que retrate um período da história. Mais ainda, uma obra que fale de forma imparcial sobre uma figura tão controversa quanto a de Getúlio Vargas. Se, por um lado, o político populista estabeleceu vários direitos trabalhistas, por outro, usou esses benefícios como forma de manipulação da massa e tirou a força dos sindicatos. Sim, um ditador.

    João Jardim (Lixo Extraordinário) optou por abrir o filme com um resumo dos fatos, com aspectos positivos e negativos. Já se vê, desde o início, a preocupação em não ser chapa branca. Mas fato é que o carismático Tony Ramos protagoniza o longa, que será lançado em 1º de maio, dia famoso pelos anúncios de Vargas. Mera coincidência?

    Getúlio retrata os 19 últimos dias do ex-presidente, do atentado da Rua Toneleiro até o suicídio. Esse recorte de tempo serviu para desenvolver os personagens sem pressa no contexto e, como apresenta o título, tenta enquadrar o ser humano por trás de tanto poder. Entretanto, justamente por optar pela derrocada, denota certa compaixão pelo político. Difícil fugir disso.

    Tony Ramos tem um bom desempenho no papel do protagonista. Com maquiagem rebuscada, alcança uma representação visual quase perfeita em alguns momentos. Novamente, a escolha de um ator global e querido não deixa de carregar uma ideologia. Obviamente, a atuação transcende os limites da persona pública, mas nunca vai deixá-la completamente de lado. E esse é um ponto especialmente importante num filme histórico.

    Ao lado do protagonista, Drica Moraes exibe uma presença forte como Alzira, filha de Vargas. A relação dos dois ganha profundidade em pequenos momentos do lar, como na boa cena quando ela amarra os sapatos do pai, que nunca soube fazê-lo. Presença curiosa e mal explicada é a da esposa, numa passagem extremamente breve.

    As gravações feitas no Palácio do Catete com uma bela iluminação enfatizam o clima de época e de ostentação do poder. Aliás, a reconstituição detalhada tanto do ambiente quanto das situações é outro ponto forte: pode-se ouvir o barulho do sangue nos passos de Carlos Lacerda após tomar o tiro na rua Toneleiro.

    Uma cena em especial, quase no fim do longa, mostra um certo transtorno dessa figura interpretada por Alexandre Borges e rende um grande momento. Felizmente, aqui também há uma tentativa de manter a imparcialidade e não colocar o opositor político como vilão. Há cuidado também para não causar comoção no espectador por meio de trilha sonora, outro mérito. 

    Mesmo com esses vários aspetos positivos, Getúlio se perde ao ser didático demais, indicando os nomes de todos os envolvidos nos meandros do governo. Vira aula de história - e, de fato, é um bom filme para se apresentar aos mais novos.

    Outro ponto a ser questionado, especialmente neste ano de aniversário do Golpe de 64, é a representação dos militares. No decorrer do longa, eles passam a assombrar cada vez mais os pensamentos do ditador, até nos pesadelos. E, no contraponto à imagem tirânica desse grupo, pode-se pensar em Vargas como o injustiçado. Fica essa breve divagação.

    João Jardim fez um bom trabalho. Por meio de atuações eficientes e cuidado ao retratar um período, conseguiu reconstruir de forma quase imparcial um momento tenso do Brasil. Entretanto, é sempre importante ressaltar que o longa não reflete a história: apenas apresenta um quadro pelo ponto de vista de quem o concebeu. Esperamos outros quadros que revelem mais a fundo as tantas facetas de Vargas. 

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