GINGA - A ALMA DO FUTEBOL BRASILEIRO

GINGA - A ALMA DO FUTEBOL BRASILEIRO

(Ginga - A Alma do Futebol Brasileiro)

2004 , 80 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hank Levine, Marcelo Machado, Tocha Alves

    Equipe técnica

    Roteiro: Hank Levine, Marcelo Machado, Tocha Alves

    Produção: Fernando Meirelles, Hank Levine

    Fotografia: Raul Fernandez

    Estúdio: O2 Filmes

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Durante muito tempo, o "País do futebol" foi carente de bons filmes que enfocassem este esporte. O cinema brasileiro, justamente numa das áreas que mais apaixona as platéias, vivia de raridades isoladas como O Corinthiano, com Mazaroppi, Asa Branca, com Edson Celulari, e alguns parcos documentários. Mais recentemente, parece que os cineastas decidiram tirar o atraso, lançando Boleiros (1 e 2), Pelé Eterno, Garrincha - Estrela Solitária, Um Craque Chamado Divino (documentário ainda inédito sobre Ademir da Guia) e, agora, Ginga - A Alma do Futebol Brasileiro.

    Produzido pela festejada O2 Filmes, de Fernando Meirelles, em parceria com a mega empresa de produtos esportivos Nike, Ginga - A Alma do Futebol Brasileiro é um documentário dirigido a seis mãos (Hank Levine, Marcelo Machado e Tocha Alves) que enfoca as diferentes facetas de uma das qualidades mais elogiadas do futebol brasileiro: a nossa ginga, este balanço tão particular que já tornou o Brasil cinco vezes campeão mundial. Por enquanto.

    Dividido em dez episódios, o filme opta por um estilo narrativo tradicional, centralizando sua força dramática muito mais nas histórias que conta e nos personagens que aborda. A pesquisa é um de seus pontos positivos, levantando situações em doze cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Bahia e Santa Catarina. As filmagens consumiram sete meses.

    Ginga - A Alma do Futebol Brasileiro tem um pouco de tudo. Para ilustrar (outra vez) o conflito insolúvel da nossa crônica distribuição injusta de renda, o filme contrapõe um garoto franzino, negro, de uma favela carioca, a um rapaz bem nutrido, branco, de classe média paulista. O primeiro desce o morro para treinar. O segundo é levado pela mãe, de carro, e já abriu contatos para jogar na Europa. Ambos vivem universos diferentes, mas são unidos pela ginga. Há um professor de capoeira que esbanja ginga no futebol de areia, um rapaz que joga com uma perna só, uma carioca que prefere o futevôlei, uma recordista de embaixadinhas e assim por diante. Entre tantos personagens anônimos, destacam-se duas celebridades: Robinho, do Real Madrid (o documentário só o acompanha até o Santos), e Falcão, eleito o melhor jogador de futebol de salão do mundo. É a ginga como fator de ascensão social num País de poucas oportunidades.

    Porém, o episódio mais fascinante não sai dos dribles desconcertantes de Robinho - alguns inclusive cortados do filme por imposição do Corinthians, que não queria ver sua imagem prejudicada por "humilhações" que o atleta impôs ao rival. A melhor parte fica com um inacreditável campeonato amador realizado em Manaus, com centenas - isso mesmo, centenas - de times participantes, onde os indígenas treinam das maneiras mais rudimentares, descalços e usando bambus como marcação do campo de jogo. É uma demonstração fascinante da força do futebol.

    É notável também a maneira como o filme ilustra a paixão brasileira pelo esporte, mostrando que, por aqui, qualquer retângulo vira "campo". Seja um minúsculo quartinho de um apartamento em São Bernardo do Campo, um convés de navio, ou uma gigantesca praia de um rio amazônico. Da mesma forma, qualquer pedaço de pedra vira trave e qualquer bola é "jogável", seja de meia, de papel ou, claro, uma oficial da Nike.

    Aproveitando o clima festivo de Copa do Mundo, Ginga - A Alma do Futebol Brasileiro entra no circuito cinematográfico num momento propício, embora tenha uma estética mais direcionada à televisão. Ágil e tecnicamente impecável (característica típica da O2), é um entretenimento acima da média que pode ser curtido mesmo por quem não seja grande fã do futebol.

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