GINGER & ROSA

GINGER & ROSA

(Ginger & Rosa)

2012 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 19/04/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sally Potter

    Equipe técnica

    Roteiro: Sally Potter

    Produção: Andrew Litvin, Christopher Sheppard

    Fotografia: Robbie Ryan

    Estúdio: Adventure Pictures, BBC Films, British Film Institute (BFI), Det Danske Filminstitut, Media House Capital, Miso Films

    Distribuidora: Paris Filmes

  • Crítica

    17/04/2013 15h25

    Ginger & Rosa nasceram pouco antes da atmosfera sombria de uma possível guerra nuclear abraçar Londres. Adolescentes em 1962, ouvem pelo rádio o iminente fim da humanidade com a Crise dos Mísseis de Cuba. Ginger preocupa-se em salvar o mundo. Rosa deseja o amor verdadeiro e não acredita no poder individual para transformação.

    A incerteza sobre o futuro que gera medo e, ao mesmo tempo, a necessidade de aproveitar inteiramente o instante, permeia a trama do longa escrito e dirigido por Sally Potter.

    Elle Fanning (Super 8) dá vida à jovem e entusiasta Ginger (apelido para ruiva em inglês), com uma atuação entregue e surpreendente. No início, transmite uma alegria quase infantil, de risada frouxa. Quando começa a perceber a realidade da vida, mostra-se frágil - seu muro idealizado a deixa na mão.

    Assim, demonstra não somente as dúvidas comuns na passagem da adolescência para a vida adulta, mas também a quebra de um sonho. Suas cenas de confusão mental e choro são extremamente convincentes.

    Alice Englert, a misteriosa Rosa, desempenha uma atuação inferior à Fanning – sua expressão continua a mesma de Dezesseis Luas. A personagem acredita em Deus e vive de forma mais simples, aproveitando a juventude; deseja encontrar o amor verdadeiro em um homem, não o amor ágape incondicional. Apesar da interpretação mediana, não chega a comprometer o filme repleto de coadjuvantes consistentes.

    Os pais de Ginger refletem um forte contraste: Natalie é uma pintora frustrada que engravidou na adolescência do pacifista Roland. Enquanto ela tenta manter um lar “normal”, mesmo à beira de um ataque de nervos, ele preza pela liberdade do indivíduo, chegando a tal ponto de fazer a filha chamá-lo pelo nome próprio ao invés de “pai”. A relação deles mostra o dilema entre tatear o novo ou manter-se apegado à segurança do aparentemente correto.

    Entediadas com a vida de suas mães, logo Ginger e Rosa o tomam como exemplo. Mas a proximidade entre os três acaba gerando afetos e rompimentos que causam furor para eles mesmos e ressoam entre os amigos da família.

    A partir de um roteiro bem desenvolvido, as informações são passadas na medida certa, sem causar confusão ao espectador ou expor em demasia a trama. Dessa forma, há espaço para imaginação e percepção individual da obra. Em termos de fotografia, os cabelos de Ginger se misturam aos tons de cobre de uma Londres antiga, à madeira de casas underground onde escritores concebiam suas ideias libertárias.

    Diante de uma ameaça generalizada à vida, as prioridades podem mudar. No entanto, deixar completamente em segundo plano o lado pessoal pode ser um peso grande demais para uma adolescente. Ginger & Rosa consegue expor de forma envolvente e fascinante o embate entre gerações, tanto no âmbito particular quanto na vivência em sociedade.

    Mesmo com tantos dilemas, a saída é relativamente simples. Como a própria ruiva diz, se todos viverem plenamente, não há o que perdoar. Maior crime seria não viver.


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