GNOMEU E JULIETA

GNOMEU E JULIETA

(Gnomeo and Juliet)

2011 ,

Gênero: Animação

Estréia: 04/03/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kelly Asbury

    Equipe técnica

    Roteiro: Andy Riley, Emily Cook, John R. Smith, Kathy Greenberg, Kelly Asbury, Kevin Cecil, Mark Burton, Rob Sprackling, Steve Hamilton Shaw

    Produção: Baker Bloodworth, David Furnish, Steve Hamilton Shaw

    Trilha Sonora: Chris Bacon, Elton John, James Newton Howard

    Estúdio: Arc Productions, Miramax Films, Rocket Pictures, Starz Animation, Touchstone Pictures

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Ashley Jensen, Dolly Parton, Emily Blunt, Hulk Hogan, Ingrid Guimarães, James Daniel Wilson, James McAvoy, Jason Statham, Jim Cummings, Julia Braams, Julie Walters, Julio Bonet, Kelly Asbury, Maggie Smith, Matt Lucas, Maurissa HorwitzNa versão brasileira: Daniel Oliveira, Michael Caine, Neil McCaul, Ozzy Osbourne, Patrick Stewart, Richard Wilson, Stephen Merchant, Tim Bentinck, Vanessa Giácomo

  • Crítica

    02/03/2011 18h21

    É tudo igual, mas diferente. A rivalidade entre os Capuleto e os Montecchios mantém-se, mas eles são transformados na turma do Vermelho e do Azul. Verona, o palco original, transforma-se na Rua Verona, localizada em um bairro qualquer de Londres. A tragédia dá lugar à comédia e à redenção em Gnomeu e Julieta, a enésima adaptação da peça shakesperiana que consolidou o arquétipo do amor juvenil.

    Ah, faltou contar um detalhe: a história se passa em dois jardins de casas rivais e os protagonistas não são dois adolescentes, mas gnomos! Gnomeu e Julieta parte de um esperto argumento e mantém o fôlego durante seus 111 minutos, graças à colcha de referências ao próprio cinema e filmes de gênero, mas também ao que Shakespeare nos legou de estrutura narrativa.

    Gnomeu (voz de Daniel de Oliveira) é um simpático gnomo do chapéu azul. Por acidente, ele vê uma linda moça no topo de uma estopa e se apaixona, de cara. O gnomo vai ao encontro de Julieta lá no alto e, depois de uma sequência idílica, escorregam e caem numa piscina que limpa o disfarce de guerreiro dele e a roupa improvisada de ninja dela. A verdade os assusta: como pode uma Capuleto Vermelha se enamorar de um Montecchio Azul?

    Depois de apresentar seus personagens, Gnomeu e Julieta começa a desenrolar a lista de referências que, por serem tiradas de seu contexto original e recolocadas em situações atípicas, criam um efeito cômico poderoso. Por exemplo: um gnomo azul se preparando como Sylvester Stallone em Rambo ou uma corrida desleal de aparadores de grama (!) em vez das bigas de Ben-Hur.

    Uma das mais hilárias é a combinação do estereótipo do poderoso em filmes de ação: um aparador de grama turbinado cujo nome, Terrafirmator, remete a O Exterminador do Futuro, a narração ao vídeo cômico do Powerthirst e a inserção na cena a uma sequência de Tango e Cash.

    Saindo das referências e indo ao cômico, a animação de Kelly Asbury (um dos três diretores de Shrek 2) acerta ao não confundir falta de pudor nas piadas com provocação barata. As indiretas estão perfeitamente encaixadas na narrativa e têm função para o desenvolvimento do filme. Seja o humor físico inspirado em Os Três Patetas ou comentários discretos (como trocar o símbolo da maçã da Apple por uma banana).

    Cinematograficamente, Gnomeu e Julieta tem uma sequência de flashback de pura beleza, sem diálogos para atrapalhar e “traduzir” o que a imagem já da conta sozinha. Cena que lembra os momentos ternos de Toy Story, o primeiro.

    Pena que, provavelmente para conseguir se viabilizar, Gnomeu e Julieta precisa prender-se ao final feliz, procurando o consenso e redenção. Se dermos um voto de condescendência essa imperfeição que, na verdade, simboliza os tempos modernos, é de tirar o chapéu a solução que o roteiro encontra para propor um novo final à morte dos protagonistas shakesperianos.

    Gnomeu e Julieta surpreende pelo modo como conta cinematograficamente a história de amor e aventura destes gnomos e pela naturalidade do tom cômico. Esta animação não sente a obrigação de enfiar a piada goela abaixo do espectador. Felizmente.

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