GODARD, TRUFFAUT E A NOUVELLE VAGUE

GODARD, TRUFFAUT E A NOUVELLE VAGUE

(Les Deux de La Vague)

2009 , 91 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 28/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Emmanuel Laurent

    Equipe técnica

    Roteiro: Antoine de Baecque

    Produção: Emmanuel Laurent

    Fotografia: Étienne Carton de Grammont, Nicholas de Pencier

    Estúdio: Films a Trois

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Isild Le Besco

  • Crítica

    13/06/2010 12h00

    Quando transformações são observadas com a mínima distância histórica, fica bem mais fácil fazer uma análise mais apurada sobre o passado. Esse é o lado bom. Já o ruim, na verdade, é bem corrosivo: geralmente uma aura de mito, perfeição e romantismo vêm junto da realidade.

    Isso também acomete o que foi de fato a Nouvelle Vague. Cinquenta anos depois de um punhado de garotos ter mudado o curso da história do cinema e influenciado dezenas de diretores, é mais comum reproduzir o que já foi dito a respeito do que manter um diálogo direto com os filmes eles fizeram.

    Por isso, Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague presta um serviço enorme ao cinema: sem sisudez ou enrolações, vai na essência das mudanças dos anos 50 e discute porque Acossado e Os Incompreendidos, ao lado de Nas Garras do Vício, mudaram o jeito de se fazer cinema.

    Emmanuel Laurent, montador de formação, tinha vários caminhos para tal. O mais simples seria escolher especialistas no tema, colocá-los frente à câmera e colher depoimentos com elogios e críticas. Poderia ter saído um filme digno, honesto e didático com o passado observado sob a perspectiva do presente.

    Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague é muito, muito melhor que isso. Primeiro, porque se dedica unicamente a nos relembrar qual era o ambiente daquele momento, o que os cineastas pensavam, quais eram suas posições frente ao mundo, como os jornais os criticaram. Filme-máquina do tempo. Somos transportados sem escalas à bombástica recepção de Os Incompreendidos em Cannes ou de depoimentos saídos direto do forno, como de uma senhora, logo após a uma sessão de Acossado, taxando o filme de “nojento e grotesco”.

    É como se o filtro do tempo e a fumaça intelectualizada que a Nouvelle Vague ganhou ao longo dos anos fossem inteiramente dissipadas para que tivéssemos o prazer de, como espectadores, observar um Godard ainda não acometido pela exorbitante arrogância ou um Truffaut sem as contradições dos anos 70.

    Jovens sem vícios e ainda protegidos das obrigações “necessárias” a adultos “responsáveis”. Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague é um filme de frescor, leve e flutuante, com uma pesquisa apurada, um roteiro cuidadoso de Antoine de Baecque (biógrafo de Truffaut) e uma montagem determinada a manter o espectador junto ao filme.

    Uma experiência mais completa seria assistir ao filme de Laurent logo após a outro documentário em cartaz, O Inferno de Henri-Georges Clouzot. Cineasta pré-Nouvelle Vague, Clouzot e seu projeto estrombólico inacabado, L’Enfer, buscaram a perfeição e imagens-síntese da loucura provocada pelo ciúme de homem.

    Justamente o oposto dos jovens dos anos 50, mais próximos à liberdade para filmar e a simplicidade (não confundir com pobreza) da história. Enquanto Clouzot foi consumido pelo desejo de fazer o filme grandioso, a molecada foi na direção oposta.

    Quando presenciaremos novamente uma “nova onda” a transformar radicalmente o cinema? Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague não responde a essa interrogação. Mas, se olharmos para o hoje, as perspectivas não são muito animadoras. O jeito é criar os atalhos.

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